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Brasil quer atuar também como exportador de Internet das Coisas, diz McKinsey

cristinadeluca

19/06/2017 16h34

Caso o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) realmente siga à risca o diagnósticos e as recomendação do estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil”, elaborado pelo Consócio McKinsey/CPqD/PNM, ele não poderá deixar de contemplar ações que possam ajudar o país  a se transformar  em uma referência de IoT para a América Latina. A sistematização dos resultados da grande consulta pública realizada em janeiro e dos dois Bytes de IoT que acontecerem na sequência, deixa claro que o Brasil deseja ser uma força exportadora de IoT, simultaneamente ao desenvolvimento de um ecossistema local que desenvolva aplicações em setores nos quais o Brasil é referência mundial, como agronegócio, e que promova o uso massivo da tecnologia para enfrentar desafios internos, aumentando a produtividade diversos setores e a competitividade da economia.

As aspirações gerais do país em Internet das Coisas foram fruto de um seminário realizado no início de março passado, e estarão novamente em debate em um novo seminário previsto para acontecer agora, no fim de junho, início de julho, segundo Patrícia Ellen, da consultoria McKinsey e uma das coordenadoras do estudo. “Falta pouco para finalizar a primeira etapa do trabalho”, comenta ela.

Nessa primeira etapa, o consórcio desenvolveu um benchmark de projetos e políticas de IoT em diversos países, mapeou o roadmap tecnológico de IoT no mundo e, agora, trata de analisar a demanda e a oferta de IoT no Brasil. Um novo byte, apresentado pelo ministério como um nova consulta pública, está em andamento deste a semana passada, com o intuito de mapear as atuais ofertas de tecnologias, produtos, serviços e soluções de Internet das Coisas no país.

“Foram etapas muito importantes para definir quais são os objetivos. O Brasil vai ter que pensar em desenvolver , ao mesmo tempo, a demanda e a oferta. O potencial impacto de IoT para criar mais valor para a sociedade como um todo, por um lado e a capacidade de desenvolver uma indústria de IoT competitiva, regionalmente e globalmente”, diz Patrícia.

Foram mais de 3.500 contribuições ao todo, sendo 2.000 na consulta pública; aproximadamente 700 no Laboratórios do Futuro; cerca de 800 contribuições nos Bytes de IoT e mais de 160 conselheiros, especialistas e integrantes dos comitês do estudo envolvidos. Esta construção coletiva permitiu que todos os engajados de alguma forma no ecossistema de IoT pudessem dar sua contribuição no quê o Brasil deveria aspirar em Internet das Coisas.

Em um documento encaminhado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o consórcio afirma que a  estratégia para alcançar essa aspiração deve enfrentar três grandes pilares, sendo dois do lado da demanda e um do lado da oferta:

■ Competitividade: Promover o crescimento e desenvolvimento econômico por meio da melhoria da produtividade, da criação de modelos de negócio inovadores, e do desenvolvimento de produtos e serviços de maior valor agregado a partir da Io;

■ Sociedade Conectada: Promover a apropriação e extração dos benefícios da IoT por parte da sociedade, com vistas a gestão dos recursos da cidade, prestação de serviços inteligentes, e capacitação das pessoas para o trabalho baseado no uso das novas tecnologias do século XXI;

■ Cadeia Produtiva de IoT: Aproveitar a oportunidade de IoT para reforçar a cadeia produtiva, fortalecendo PMEs, gerando inovação e aumentando o potencial de exportação de tecnologia em IoT, estimulando a inserção do país no cenário internacional.

O próximo passo, é a definição de critérios chave para seleção e priorização de verticais e horizontais que serão priorizadas em relação à demanda e também à oferta de soluções de IoT. O estudo cobre 1 verticais, listadas no quadro abaixo. E está considerando diversos casos de uso em cada um deles, e os modelos de negócios que podem ser mais facilmente implantados no país.

De acordo com Patrícia, o processo de priorização das verticais deverá considerar onde o Brasil pretende chegar e que impactos a IoT pode gerar. Da mesma forma, o plano de ação a ser definido deverá endereçar os principais desafios identificados.

“O Brasil já tem um ambiente bastante propício ao uso da Internet das Coisas”, afirma a consultora, lembrando que a maioria da população vive em áreas urbanas, mais da metade é conectada, o uso de dispositivos móveis é o terceiro maior do mudo, o quarto maior mercado em conexões M2M, o segundo em uso de redes sociais e por aí vai.  “Alguns elemento são favoráveis,  mas ainda temos muitos desafios em relação à privacidade, segurança, conectividade em área remotas, aspectos regulatórios, acesso a financiamento, capacidade de internacionalização, capacitação de mão de obra… Tudo isso tem que ser trabalhado. E o importante agora é eleger as áreas prioritárias, porque fazer tudo isso para os dez segmentos é impossível”, explica.

E nesse ponto, os exemplos mundiais servem como guia. Entre as lições aprendidas  pelos autores do estudos  a partir do ecossistemas de IoT de países como Alemanha, Coreia do Sul, Japão, China,  etc, uma é mandatória: descobrir qual é a vocação do país em Internet das Coisas. E centrar fogo aí.

Além dela, os autores do estudo técnico pontuaram outras principais lições a serem consideradas pelo Plano Nacional de Internet das Coisas:

– 1ª Lição: O envolvimento do Estado pode ser resumido a três modelos

Papel ativo em IoT: governos participam ativamente do desenvolvimento do setor por meio de investimentos, seleção de áreas prioritárias, criação de associações e alianças, iniciativas de regulação e parcerias internacionais. As ações normalmente são consolidadas em um plano nacional.

Formação de ecossistema: governos se concentram em criar ambiente propício ao aproximar e coordenar os atores–empresas, agências de fomento, startups e universidades. Nesse caso, os investimentos diretos do Estado em IoT tendem a ser mais limitados em comparação com os países que assumem um papel ativo.

Elaborador de diretrizes e investidor em áreas-foco: governos se dedicam a estabelecer diretrizes específicas, realizar investimentos em áreas selecionadas, difundir melhores práticas e viabilizar a competitividade e a abertura de mercados.

– 2ª Lição: A governança estimula a formação de ambiente adequado

Modelo estruturado com associações específicas ou alianças de IoT formadas pelos setores público e privado: a maioria dos países em que o Estado tem papel ativo adotaram modelos robustos de governança, como associações, alianças ou consórcios reunindo os setores público e privado, formados por conselhos executivos e consultivos, além de grupos de trabalho ou comitês temáticos.

Formação de ecossistema: há países que ocupam uma posição de destaque em IoT apesar de adotarem modelos mais descentralizados, pois já possuíam um ecossistema inovador, como é o caso das incubadoras e do consórcio de universidades no Reino Unido, ou das ações de coordenação focadas em verticais selecionadas, no caso dos Estados Unidos.

– 3ª Lição: Os governos buscam criar ecossistemas adequados e reduzir risco da inovação

Realização de investimentos: a maior parte dos governos líderes em IoT está investindo de forma significativa.

Formação de clusters: reunir startups e empresas em áreas específicas das cidades para ajudar na troca de experiência e a realização de novos negócios.

Estímulo a PMEs e startups: fomentar uma cultura empreendedora com a redução da burocracia e dos impostos, e a difusão dos benefícios de empreender.

Compras públicas: usar a demanda de inovações por parte do setor público para incentivar a inovação e alavancar as empresas de IoT.

– 4ª Lição: É preciso investir na formação de recursos humanos

IoT = + empregos: vincular as políticas públicas de aumento da capacidade do setor à oferta de oportunidades de emprego

Programadores mirins: introdução de Tecnologia da Informação, habilidades de informática e programação desde o ensino fundamental

Conectar universidade e indústria: os governos tomam medidas para abrir e ampliar canais de cooperação entre indústria e universidade

Promoção de eventos da indústria: organização de workshops, conferências e treinamentos em tópicos específicos relacionados a IoT

– 5ª Lição: É preciso regulamentar três temas chave, mas ainda não há um consenso sobre como

Padronização: um dos maiores desafios de IoT é permitir que os dispositivos se comuniquem entre si independentemente de quem ou onde foram feitos. Alguns países estimulam padrões abertos, outros, a adoção de padrões globais ou definidos pelo mercado.

Conectividade: o grande número de dispositivos vai exigir uma infraestrutura complexa. Alguns governos desenvolvem infraestrutura local (EU, JP, KR). Outros têm trabalhado para a formação de plataformas globais (UK, CH, SG).

Privacidade e segurança: em todos os países estudados há consenso de que é necessário criar mecanismos para evitar acesso não autorizado, mau uso de dados pessoais e ataques aos sistemas. Porém, os governos ainda têm avançado em ritmos diferentes na aprovação de leis e na criação de instituições responsáveis por sua aplicação.

Mas como lembra a consultora da McKinsey, esses são apenas alguns resultados iniciais do estudo técnico, que  pretende mostrar o impacto de IoT na demanda em cada uma das verticais, o potencial na oferta e os desafios de implementação para capturá-los. “Cabe ao governo decidir o que priorizar, considerando onde teremos maiores impactos e potencial. A palavra final é do governo”, explica.

No mundo, a julgar pelo visto no benchmark, a vertical de maior potencial de impacto é o ambiente fábrica. Cidades e Saúde também estão bem posicionados no uso de IoT. No Brasil, pode ser que o agronegócio desponte como um setor importante, considerados os casos de uso, as curvas de adoção da tecnologia e representatividade econômica. “Oil & Gas, por exemplo,  tem uma representatividade econômica muito grande para o Brasil, que o setor de Indústria de Base se tornar relevante”, explica Patrícia.

Segundo Patrícia, o governo decidirá quais setores serão aprofundados pelo Consórcio, considerando as ambições do país para IoT.

Mercado em construção
Dado o estágio inicial de desenvolvimento e o potencial de externalidades para economia e bem estar, diversas regiões e países estão tratando o  tema IoT estrategicamente.

consultoria McKinsey estima que em 2025 a IoT deve gerar, em nível mundial, receitas entre U$ 3,9 trilhões e US$ 11,1 trilhões, contribuindo com até 11% do PIB global. O número de dispositivos conectados à internet irá saltar de cerca de 10 bilhões em 2015 para 34 bilhões até 2020, quando a população no planeta será de 7,6 bilhões – resultando em uma média superior a quatro dispositivos por pessoa, de acordo com a consultoria BI Intelligence.

Outro estudo, elaborado pela Cisco (PDF), aponta ainda que a IoT poderá gerar para os governos no mundo todo ganhos superiores a US$ 4 trilhões até 2022, considerando economias de custos e novas receitas. Na estimativa dos maiores ganhos potenciais por país, o Brasil aparece no 9º lugar com um potencial estimado em US$ 70 bilhões até 2022.

Já estudo recente da Frost & Sullivan, intitulado “O Mercado industrial brasileiro de Internet das Coisas, Cenário para 2021”, revela que o segmento de IoT movimentou da US$ 1,35 bilhão no ano passado, sendo que a indústria automotiva e as verticais de manufatura foram as mais relevantes.  O levantamento projeta um crescimento significativo em cinco ano, alcançando receitas de US$ 3,29 bilhões, referes a hardware (módulo de conectividade e outros componentes), software e serviços diretamente ligados a soluções de IoT.

O relatório observa que o ecossistema de IoT no Brasil ainda é fragmentado. Há desafios de ampliar a capacidade de consultoria e integração para que as empresas de tecnologia da informação e comunicações ofereçam soluções de ponta a ponta em IoT. Novos modelos de negócios evoluem rapidamente em diferentes mercados no Brasil tanto por meio de empresas estabelecidas, como de startups, gerando um cenário positivo para inovação.

De acordo com a gerente de pesquisas em saúde transformacional da Frost & Sullivan, Rita Ragazzi, há oportunidades significativas também em mercados como Cidades Inteligentes, Utilities, Agricultura e Saúde. “Enquanto a indústria automobilística e de manufatura estarão maduras em 2021, a expectativa é que a da saúde tenha as mais altas taxas de crescimento anual composta, gerando uma trilha reversa em outros mercados, começando por negócios B2C, e então envolvendo empresas.”

Segundo a analista, devido à grande regulamentação do mercado de saúde no Brasil, com várias questões sobre a confidencialidade e segurança dos dados, a adoção pelas instituições de saúde será uma longa jornada. “Entretanto, tecnologias voltadas aos pacientes são mais fáceis de serem adotadas, como serviços móveis, apps e dispositivos, que levarão o mercado de saúde B2C a atingir a soma de US$ 610 milhões em 2020”, completa Rita.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de producão multiplataforma. Hoje trabalha como colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicacões do grupo IDG no Brasil. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editoras executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criacão e implantacão do Globo Online. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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