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E-commerce fatura R$21 bilhões no 1º semestre de 2017, diz e-bit

Cristina De Luca

23/08/2017 18h11

O e-commerce faturou R$21 bilhões no primeiro semestre de 2017, crescimento nominal de 7,5% ante o mesmo período de 2016, quando foram registrados R$19,6 bilhões. O número de pedidos aumentou 3,9%, de 48,5 milhões para 50,3 milhões, e o tíquete médio registrou expansão de 3,5%, passando de R$403 para R$418. Os números são do relatório Webshoppers 36, divulgado nesta quarta-feira (23/8) pela e-bit.

De acordo com Pedro Guasti, CEO da e-bit, a economia brasileira deu seus primeiros sinais de reação na primeira metade de 2017, e isso refletiu positivamente no e-commerce. "No primeiro semestre de 2016, no auge da crise política e econômica, o número de pedidos registrou queda pela primeira vez na história, retraindo 1,8%. Nos primeiros seis meses deste ano, além da recuperação do crescimento, o e-commerce ultrapassou pela primeira vez a barreira de 50 milhões de pedidos", afirmou.

De acordo com o Webshoppers 36, uma das principais causas para o aumento dos pedidos foi a queda dos preços dos produtos comercializados online. O Índice FIPE Buscapé, que monitora a evolução dos valores cobrados no e-commerce, aponta para deflação de 5,38% nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2017. "Em condições favoráveis de mercado, o comportamento do índice é deflacionário, principalmente devido a sua composição e suas características", explica.

O número de e-consumidores ativos registrou uma expressiva expansão de 10,3% no período, para 25,5 milhões. Para esse levantamento, a e-bit considera os consumidores que fizeram pelo menos uma compra no e-commerce no primeiro semestre de 2017.

Para o segundo semestre de 2017, a perspectiva é que as três grandes datas do calendário do varejo – Dia das Crianças, Natal e, principalmente, Black Friday – impulsionem as vendas. A e-bit espera um crescimento de 12% a 15%. Levando em conta os números deste primeiro semestre e a estimativa para o segundo, a e-bit prevê que o mercado volte a registrar expansão de dois dígitos, atualizando para 10% a perspectiva de crescimento do mercado no acumulado do ano.

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Black Friday crescerá dois dígitos
Boa parte do comportamento do e-consumidor no primeiro semestre, comprovado pelo estudo  Webshoppers 36, explica o otimismo do Google em relação à próxima Black Friday, que este ano acontecerá no dia 24 de novembro, e continua sendo  considerada a data mais importante para o varejo online no país, superando até mesmo o Dia das Mães, tradicionalmente a segunda melhor ocasião para o comércio eletrônico.

Segundo pesquisa realizada pelo Google e divulgada ontem (22/8), as vendas do varejo online na Black Friday devem crescer entre 15 e 20 por cento este ano no Brasil, em comparação ao mesmo período do ano passado.

"No ano passado, quando o comércio eletrônico como um todo cresceu 7,8%  no país, a Black Friday superou esse índice em quase duas vezes. Esse ano não será diferente. Até porque, todos os indicadores da nossa pesquisa apontam nessa direção. Especialmente o indicador de intenção de compras. Esse ano, 68% dos e-consumidores ouvidos pela pesquisa planejam comprar na data, contra 61% no ano anterior. E esse crescimento é ainda maior entre aqueles que têm certeza que vão comprar. Eram 20% em 2016 e passaram a ser 33% este ano", argumenta Victor Brotto, líder de inteligência de mercado do Google Brasil.

De acordo com Victor, as vendas do e-commerce continuam crescendo nas principais datas sazonais. Aumentaram 16% no Dia das Mães e 10% no Dia dos Pais neste ano. Na Black Friday não será diferente. "Há um consumo represado que acontece nesses momentos de promoção", diz ele. "E um sinal de maturidade do consumidor online brasileiro é justamente o aumento da variedade de produtos comprados nessas datas. Além de aproveitar os preços de ocasião, há um claro comportamento de planejamento de compras para essas épocas do ano", diz ele.

Os fatores mais considerados na hora da decisão da compra são: preço (49%), confiança na loja (27%), confiança na marca (13%) e custo do frete (5%).

No ano passado, 79% das pessoas afirmam que os gastos ficaram dentro do previsto; 42% relaciona essa situação ao fato de ter encontrado boas ofertas.

Para 1/3 das pessoas é o momento de comprar o que desejava faz tempo. 23% aproveitam para estocar produtos pela oportunidade da oferta e 9% compram para presentear.

Além disso, 2/3 das compras foram realizadas nas mesmas lojas que os entrevistados compram regularmente. 32% dos entrevistados afirmam que todas as compras foram feitas nas mesmas lojas e 34% fizeram quase todas as compras nas mesmas lojas.

Lideram o ranking de intenção de compra em 2017 celulares/smartphones e roupas femininas (ambos com 39%), em seguida está passagens aéreas/hotéis (36%). Dos que pretendem comprar celulares/smartphones nos próximos 6 meses, 66% deles pretendem esperar a Black Friday.

A pesquisa do Google foi realizada pela Provokers,  e ouviu cerca de 800 brasileiros e-shoppers, de 18 a 54 anos, das classes A, B e C, nas cinco regiões do país, durante o mês de julho.

De acordo com os resultados, a previsão de receita para o e-commerce na Black Friday deste ano é de R$ 2,2 bilhões. Isso corresponde a cerca de 4 por cento de toda a arrecadação do comércio eletrônico prevista para o país no ano, de R$ 51,8 bilhões, conforme estimativa da consultoria Forrester citada pela pelo gigante da Internet.

A Black Friday também deve atrair este ano 370 mil consumidores que nunca fizeram compras pela Internet, o equivalente a 10 por cento dos novos clientes previstos para o varejo online em todo o ano.

Entre os dados revelados pelo Google em evento em São Paulo está também a ampliação da data para além da sexta-feira, com muitas empresas se antecipando e promovendo ofertas a partir da segunda-feira e também as que continuam a maratona de promoções até a chamada Cyber Monday.

De acordo com os dados, 21 por cento das compras da data ocorrem nos dias que antecedem e sucedem a Black Friday e apresentam gastos médios maiores que os vistos na própria sexta-feira.

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Confira o desempenho das principais categorias no primeiro semestre de 2017, segundo o Webshoppers 36:

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Crescimento significativo do Mobile commerce e redução do frete grátis

O crescimento das vendas via smartphones e dispositivos móveis em patamares bem acima da média do mercado também foi um dos destaques do relatório Webshoppers 36. A expansão registrada no primeiro semestre de 2017 foi de 35,9% – nove vezes maior do que o volume de pedidos do mercado – registrando um share de 24,6% de todas as vendas do mercado.

"O que mais impressiona é o crescimento de 56,2% de volume financeiro. Esse movimento deve-se à aproximação do valor do tíquete médio de compras via dispositivos móveis, que registrou aumento de 14,9% no período, se comparado ao mercado como um todo", aponta André Dias, COO da Ebit.

Os players do e-commerce reduziram a oferta de frete grátis. Dados do relatório Webshoppers 36 apontam que, para o mercado em geral, houve uma redução de 42% para 38% no 2o trimestre deste ano se comparado com o mesmo período de 2016. Levando-se em conta apenas os dez maiores players, esse percentual reduz de 26%, para 18% do mesmo período do ano passado.

"O mercado definitivamente tem procurado manter o posicionamento na oferta de frete gratuito apenas para algumas categorias mais específicas de mercado ou quando o consumidor não tem urgência para receber o produto. Dessa forma, pode aguardar por um tempo maior de entrega ou ainda retirar os produtos em alguma loja física", explica Dias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.