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Desconfiados, consumidores temem compartilhar dados e localização com apps

Cristina De Luca

28/03/2018 21h12

Mark Zuckerberg, Facebook e o escândalo Cambridge Analytica abriram a Caixa de Pandora. A história em torno do uso indevido de dados de consumidores para fins obscuros e a falta de explicações convincentes sobre o zelo com os dados dos usuários do Facebook quando compartilhados com apps de terceiros, jogam água na fervura em um mundo que caminha para ser cada vez mais data driven. A desconfiança agora passa dos órgãos reguladores para o consumidor.

E uma pesquisa recente da Here Technologies, com 8 mil pessoas de oito países incluindo o Brasil, mostra que a crise Cambridge Analytica pode virar a "gota d'água" dessa história. Segundo a pesquisa, 76% das pessoas se sentem estressadas ou vulneráveis ao compartilhar sua localização com um app, e só 21% delas compartilham seus dados frequentemente. O brasileiro é um pouco mais generoso: 27% disseram compartilhar dados frequentemente.

A pesquisa da Here Technologies tinha como objetivo entender o comportamento dos consumidores com relação a tecnologias de localização, elementos fundamentais em várias aplicações atuais e futuras, de apps de transporte a drones e carros autônomos. Além de ouvir 8 mil consumidores, a Here juntou um time peso-pesado de experts para  analisar os resultados.

A desconfiança com o uso do dados compartilhados foi um dos elementos mais evidentes no resultado do estudo, e a conclusão é a de que falta transparência da parte das empresas sobre como a informação do consumidor será usada. Se vamos seguir adiante com um cenário de automação, inteligência artificial e comunicação máquina-máquina, repensar a regulação e a clareza da informação sobre compartilhamento de dados é inevitável, ou corre-se o risco de ter metade humana desse par se recusando a bailar e estragando a valsa

Entre as principais descobertas do estudo está o fato de que apenas 16% dos consumidores (29% no Brasil) confiam em leis e regulamentações para evitar o mau uso dos seus dados. E só 19% dos entrevistados (32% no Brasil) declararam que acreditam que seus dados serão usados de forma correta por quem os coletou.

Embora 65% das pessoas tenham dito que compartilharam seus dados pelo menos uma vez com algum app ou provedor de serviços, apenas 25% disseram saber o que acontece com seus dados depois de coletados.

A maioria dos consumidores, apesar de se preocupar com o destino e uso dos seus dados, não se envolve de forma ativa com a configuração de dados de localização de seus dispositivos móveis. Só 22% declararam que fazem isso de forma consciente. E 44% descobriram que compartilhavam seus dados com mais apps que imaginavam.

Com a transparência vem a confiança: 70% dos entrevistados disseram que iriam conceder acesso a um coletor de dados se soubessem por que seus dados eram necessários, para o que eram usados e como eles eram protegidos, armazenados ou sistematicamente excluídos. E o mesmo percentual afirmou que também permitiria o acesso se pudesse mudar suas configurações com mais facilidade, retirar o acesso e excluir seu histórico.

A pesquisa entrevistou pessoas da Austrália, Brasil, França, Alemanha, Japão, Holanda, Reino Unido e EUA. Quando olhamos os dados por país, descobrimos que os brasileiros são os mais entusiasmados com o compartilhamento de dados com tecnologias digitais e mais otimistas com relação ao seu uso.

Enquanto que a média global mostra que apenas 19% dos entrevistados consideram vital o compartilhamento de dados pessoais e de localização para a evolução do mundo digital e conectado, 39% dos entrevistados do Brasil enfaticamente concordaram com a afirmação. No caso do uso correto de dados pelos aplicativos, 32% do brasileiros confiam na tecnologia para isso, enquanto que globalmente apenas 19% acham a mesma coisa.

Abaixo você vê os dados completos sobre o Brasil. Para baixar o relatório completo da pesquisa da Here acesse esse link.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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