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Blog Porta 23

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É Zuckerberg... Lutar contra a desinformação é como enxugar gelo

Cristina De Luca

13/09/2018 23h22

Em um post mais extenso que o habitual, com cerca de 3,26 mil palavras, no qual descreve todas as iniciativas tomadas para tentar reduzir a interferência eleitoral no Facebook, Mark Zuckerberg, CEO da rede social, deixou claro que é preciso fazer bem mais.

"Embora tenhamos feito progressos constantes, enfrentamos adversários sofisticados e bem financiados. Eles não desistirão e continuarão evoluindo. Precisamos melhorar constantemente e ficar um passo à frente", escreveu.

E estar um passo à frente nessa guerra é um baita desafio.

Na opinião de Zuckerberg, hoje o Facebook está melhor preparado para enfrentar problemas semelhantes aos ocorridos na última eleição americana.

"Em 2016, não estávamos preparados para as operações coordenadas de informação que agora enfrentamos regularmente. Mas aprendemos muito desde então e desenvolvemos sistemas sofisticados que combinam tecnologia e pessoas para evitar que nossos serviços sejam usados para interferir nas eleições", disse Zuckerberg.

Os esforços vão desde o uso de programas automatizados para encontrar e remover contas falsas e bloquear conteúdos indevidos (fake news, hoax, etc), até ser mais transparente em relação à propaganda política, revelando quem pagou por ela e para quem está sendo mostrada, e também evitar campanhas (de anúncios e impulsionamentos) pagas por estrangeiros.

"Temos muito trabalho pela frente, mas estou confiante de que terminaremos este ano com abordagens muito mais sofisticadas do que quando começamos, e que o foco e os investimentos que fizemos serão bons para nossa comunidade e para o mundo, no longo prazo", escreveu.

No post, Mark lembra que um dos desafios mais difíceis do Facebook tem sido lidar com campanhas coordenadas de desinformação sem se tornar um árbitro da verdade.

"Um dos nossos princípios básicos é dar voz às pessoas. É por isso que qualquer um pode postar o que quiser sem ter que pedir permissão primeiro. Nós também acreditamos profundamente no poder da conexão. Quando as pessoas podem se conectar umas com as outras, elas podem construir comunidades em torno de interesses compartilhados onde quer que estejam no mundo. Mas também vimos como as pessoas podem abusar de nossos serviços, inclusive durante as eleições. Nossa responsabilidade é ampliar o bem e mitigar o dano", escreveu.

Ao responder um dos muitos comentários no post, Zuckerberg foi ainda mais explícito: "Acredito fortemente em dar voz a todas as pessoas, mas tenho certeza que você concordará que não devemos permitir conteúdo terrorista, pornografia infantil ou bullying aqui. Uma vez que tenhamos estabelecido que existem algumas regras, a questão é apenas quais são as regras. Esse é certamente um assunto que vale a pena discutir, mas não vamos supor que ser pró-livre significa que não pode haver regras".

Também prometeu publicar mais artigos este mês com uma visão mais aprofundada dos problemas enfrentados, começando com um post sobre a garantia de eleições em todo o mundo.

"Há muitos outros problemas importantes que enfrentamos e estamos trabalhando também. Vou escrever uma nota sobre como estamos lidando com abuso e manipulação de conteúdo ainda este ano, já que essa é uma questão particularmente importante", escreveu em resposta a um outro comentário criticando o fato da maioria dos esforços descritos estarem disponíveis apenas para os Estados Unidos.

"A manipulação política e o uso de contas falsas e de desinformação são um problema em literalmente todos os países e regiões onde o Facebook opera – são cerca de 190 países. Isso acontece em todos os idiomas. Seus próprios sistemas mostram que você opera em 133 idiomas. Você fala extensivamente sobre os Estados Unidos e não o suficiente sobre todos os outros países", provocou David Kirkpatrick.

A bem da verdade, no depoimento da vice-presidente de operações, Sheryl Sandberg ao Senado americano, semana passada, bem como em outros fóruns recentes, o Facebook reafirmou ser capaz agora de monitorar e prevenir abusos, pelo menos um pouco, em 50 idiomas. Esse é um progresso importante, mas insuficiente no contexto mais amplo.

No Brasil, por exemplo, a rede social ativou as mesmas ferramentas para encontrar e remover contas falsas e bloquear conteúdos indevidos (fake news, hoax, etc),  além de ser mais transparente em relação à propaganda política. O Brasil é o segundo país do mundo onde o Facebook lançará marcações que informam às pessoas quem pagou pelos anúncios relacionados à política.

Se todos esses controles serão suficientes é algo que só vamos saber nos próximos meses. As eleições brasileiras de outubro e as americanas, em novembro, serão bons testes.

Por enquanto é bom não perder de vista que o post de Zuckerberg acontece dias depois de Sheryl Sandberg, e do CEO do Twitter, Jack Dorsey, terem sido interrogados em audiências no Congresso sobre a interferência de eleições estrangeiras nas mídias sociais.

Além disso, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que o procurador-geral Jeff Sessions se reunirá com procuradores-gerais no final deste mês para discutir como as empresas de tecnologia podem estar prejudicando a concorrência e sufocando a liberdade de expressão.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. Hoje trabalha como colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.