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Blog Porta 23

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O Quociente Digital é o mais novo companheiro do QI e do QE. Qual é seu QD?

Cristina De Luca

2024-09-20T18:11:22

24/09/2018 11h22

Uma geração atrás, a TI e a mídia digital eram habilidades de nicho. Hoje, são competências essenciais para ter sucesso na maioria das carreiras, segundo o Fórum Econômico Mundial.

Já faz tempo que a entidade alerta para o fato de que sem uma educação digital, o comando e o acesso à tecnologia serão distribuídos de forma desigual, exacerbando a desigualdade e dificultando a mobilidade socioeconômica.

Semana passada, durante a realização do Annual Meeting of the New Champions, o Fórum Econômico mundial voltou a afirmar que o grande desafio dos educadores, daqui para frente, será ir além do pensamento da TI como uma ferramenta, ou das "plataformas educacionais capacitadas pela TI". E que é preciso pensar urgentemente em como cultivar as habilidades e a confiança dos indivíduos para se sobressair tanto online como offline em um mundo onde a mídia digital é onipresente. A educação digital é a base do que o Fórum Econômico Mundial chama de DQ (Quociente Digital).

Como o QI ou o QE – que usamos para medir a inteligência geral e emocional de alguém – as habilidades digitais do indivíduo poderão ser medidas através de indicadores que já começam a ser definidos, segundo o Fórum.

De acordo com especialistas do Fórum Econômico Mundial, o QD pode ser dividido em três níveis:

Nível 1: Cidadania Digital
A capacidade de usar a tecnologia digital e a mídia de maneira segura, responsável e eficaz

Nível 2: Criatividade Digital
A capacidade de se tornar parte do ecossistema digital, criando novos conteúdos e transformando ideias em realidade usando ferramentas digitais

Nível 3: Empreendedorismo Digital
A capacidade de usar mídia digital e as tecnologias para resolver desafios globais ou criar novas oportunidades

Das três, a criatividade digital é a menos negligenciada, à medida que mais e mais escolas tentam fornecer às crianças alguma exposição à alfabetização midiática, codificação e até robótica – capacidades diretamente relacionadas à futura empregabilidade e à criação de empregos. Da mesma forma, existem importantes iniciativas de educação – do code.org da América ao IamTheCode.org da África – que promovem o acesso à programação.

O empreendedorismo digital também tem sido ativamente encorajado, particularmente na educação superior. Muitas das melhores universidades adotaram e desenvolveram novos cursos ou iniciativas para incentivar uma cultura de inovação. Estamos até começando a ver movimentos globais que estimulam o empreendedorismo social entre as crianças por meio de programas de orientação e educação, os da Mara Foundation e os da Ashoka Changemaker Schools.

Quem perde, quase sempre, e em todo o mundo, é a cidadania digital, que tem sido muitas vezes negligenciada por educadores e líderes. Os indivíduos devem começar a aprender cidadania digital o mais cedo possível, idealmente desde criança, quando começarem a usar ativamente jogos, mídias sociais ou qualquer dispositivo digital.

Os educadores tendem a pensar que as crianças aprendem essas habilidades sozinhas ou que essas habilidades devem ser cultivadas em casa. No entanto, devido à lacuna da geração digital, com a geração Z sendo a primeira a crescer verdadeiramente na era dos smartphones e mídias sociais, nem os pais nem os professores sabem equipar adequadamente as futuras gerações com essas habilidades.

Quais habilidades digitais as gerações atuais e futuras devem aprender?
De acordo com o Fórum Econômico Mundial,o QD é o conjunto de habilidades sociais, emocionais e cognitivas que permitem aos indivíduos enfrentar os desafios e adaptar-se às demandas da vida digital. Essas habilidades podem ser divididas em oito áreas interconectadas:

Identidade digital: a capacidade de criar e gerenciar sua identidade e reputação online. Isso inclui a conscientização da persona online e o gerenciamento do impacto a curto e a longo prazo de sua presença online.

Uso digital: A capacidade de usar dispositivos digitais e mídia, incluindo o domínio do controle, a fim de alcançar um equilíbrio saudável entre a vida online e off line.

Prudência digital: A capacidade de gerenciar riscos online (por exemplo, cyberbullying, grooming, radicalização), bem como conteúdo problemático (por exemplo, violência e obscenidade) e evitar e limitar esses riscos.

Segurança digital: A capacidade de detectar ameaças cibernéticas (por exemplo, hackers, golpes, malware), para entender as melhores práticas e usar ferramentas de segurança adequadas para proteção de dados.

Inteligência emocional digital: A capacidade de ser empático e construir boas relações com os outros online.

Comunicação digital: A capacidade de se comunicar e colaborar com outras pessoas usando tecnologias digitais e mídia.

Alfabetização digital: A capacidade de encontrar, avaliar, utilizar, compartilhar e criar conteúdo, bem como a competência em pensamento computacional.

Direitos digitais: A capacidade de compreender e defender os direitos pessoais e legais, incluindo os direitos à privacidade, propriedade intelectual, liberdade de expressão e proteção contra o discurso de ódio.

No que diz respeito exclusivamente à cidadania digital, a pesquisa que o Fórum fez  apontou oito habilidades em particular.

Identidade do cidadão digital: a capacidade de criar e gerenciar uma identidade saudável on-line e off-line com integridade

Gerenciamento de tempo de tela: a capacidade de gerenciar o tempo de tela, a multitarefa e o engajamento em jogos on-ine e mídias sociais

Gerenciamento de cyberbullying: a capacidade de detectar situações de cyberbullying e lidar com elas sabiamente

Gerenciamento de segurança cibernética: a capacidade de proteger os dados criando senhas fortes e gerenciando vários ataques cibernéticos

Gerenciamento de privacidade: a capacidade de lidar com discrição com todas as informações pessoais compartilhadas online para proteger a privacidade de alguém e de outras pessoas

Pensamento crítico: a capacidade de distinguir entre informações verdadeiras e falsas, conteúdo bom e prejudicial e contatos confiáveis ​​e questionáveis ​​on-line

Pegadas digitais: capacidade de entender a natureza das pegadas digitais e suas conseqüências na vida real e gerencia-las com responsabilidade

Empatia digital: a capacidade de mostrar empatia em relação às necessidades e sentimentos de si mesmo e dos outros online.

E o que fazer?
Segundo o Fórum, uma educação de cidadania digital de qualidade deve incluir oportunidades de avaliação e feedback. As ferramentas de avaliação devem ser abrangentes e adaptativas, a fim de avaliar não apenas as habilidades difíceis, mas também as habilidades de QD. Em última análise, essas avaliações devem servir como um meio de fornecer feedback que dê aos cidadãos uma melhor compreensão de seus próprios pontos fortes e fracos, para que possam encontrar seus próprios caminhos para o sucesso.

Em última análise, os líderes nacionais precisam entender a importância da cidadania digital como base da inteligência digital. E os líderes nacionais devem priorizar a implementação de programas de cidadania digital como parte de um quadro geral da Educação.

Mais importante ainda, os indivíduos devem iniciar a educação para a cidadania digital em sua própria esfera de influência: pais em suas casas, professores em suas aulas e líderes em suas comunidades.

Não há necessidade de esperar. Na verdade, não há tempo para esperar. Já estamos imersos no mundo digital e  influenciando o que esse mundo será amanhã. Cabe a nós garantir que estejamos  equipados com as habilidades e apoio para torná-lo um lugar onde possamos prosperar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.