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Blog Porta 23

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Machine Learning derruba barreiras linguísticas e modifica os mercados

Cristina De Luca

25/09/2018 10h11

O aprendizado de máquina está transformando nosso mundo mais rapidamente do que a maioria imagina; em particular, está transformando o comércio, segundo o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). E transformará a economia mundial. Tudo por conta da tradução automática.

As barreiras linguísticas são um importante obstáculo para o comércio internacional, desde sempre. Com elas começando a cair, graças ao uso de aplicativos gratuitos como o Google Tradutor e o iTranslate Voice, ou de comunicadores como o Skype e outros aplicativos para smartphones como o SayHi e o WayGo, o Fórum Econômico acredita que os fluxos do comércio mundial devem crescer – e muito. O impacto já deve se tornar perceptível nos próximos anos.

"A tradução automática será um estímulo massivo para o comércio", dizem os especialistas ouvidos pelo WEF.

Em estudos empíricos, os economistas afirmam que as barreiras linguísticas amortecem o comércio de maneira espetacular, enquanto o compartilhamento de uma linguagem comum impulsiona o comércio entre as nações em cerca de 50%. "Isso pode soar alto para muitos, mas provavelmente soa fiel à maioria dos líderes de negócios internacionais que encontram diariamente uma gama quase inimaginável de problemas que surgem quando o comprador e o vendedor não podem falar diretamente", diz Richard Baldwin, Professor de Economia Internacional do Instituto de Pós-Graduação, em Genebra.

A introdução da tradução automática no eBay teve reflexo imediato nas vendas internacionais. As exportações do eBay dos EUA para os países latino-americanos de língua espanhola cresceram 17,5%. Ultrapassando barreiras linguísticas que dificultam o comércio, a IA já está afetando a produtividade e o comércio e tem um potencial significativo para fazer ainda mais.

Impulso também para a economia
Aliás, os benefícios da tradução automática para a economia mundial será tema do próximo livro de Baldwin, "The Globotics Upheaval". Ele aborda o surgimento dos freelancers internacionais, pessoas sentadas em uma nação, mas trabalhando em outra, executando trabalhos online, coordenados através de plataformas de matchmaking para a execução de serviços em vez de a venda de bens.

"As pessoas que querem contratar freelancers e as pessoas que querem oferecer o seu trabalho se registram nesses sites, que os ajudam a se encontrar, ao mesmo tempo em que facilitam o pagamento, o gerenciamento e a comunicação entre eles", diz Baldwin em um artigo para o WEF. "Embora existam milhões de freelancers registrados, uma vez que a maior parte do trabalho é em inglês, a capacidade de falar razoavelmente o idioma é uma grande barreira para pessoas que não falam inglês nessa nova forma de globalização", completa.

Espera-se que o mercado global de tradução automática instantânea chegue a quase US $ 1 bilhão até 2024, e as melhorias na tradução e conectividade de máquinas estão abrindo empregos de serviço no primeiro mundo para todos.

A tese de Baldwin é a de que, com a tradução automática, um grande número de pessoas estará falando inglês, ou outras línguas de países ricos, como francês, alemão, japonês ou espanhol, bem o suficiente para participar desse mercado de trabalho. "O resultado será um tsunami de talentos", prevê. "Uma das maiores barreiras à cooperação humana está caindo em um ritmo explosivo. Como de costume, as mudanças criarão dores e ganhos. É hora de todos nós começarmos a tomar medidas para aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios", completa.

Voltando para a comércio
Até aqui, tecnologias como o Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) para ler números de contêineres, identificação por radiofrequência (RFID) e QR-codes, para rastreamento de remessas, e a digitalização básica de documentos comerciais melhoraram a confiabilidade e a eficiência do comércio internacional.

Agora, outras cinco tecnologias, além da tradução automática impulsionada pelo Machine Leraning, têm o potencial de mudar o comércio global para sempre. São elas a Inteligência Artificial, o Blockchain, a negociação de serviços através de plataformas digitais como a Upwork, a impressão 3D e os pagamentos móveis.

Um texto de Ziyang Fan, Head de Comércio Digital e Cristian Rodriguez Chiffelle,
diretor de Política, Comércio Internacional e Investimento, ambos do Fórum Econômico Mundial, aborda em detalhes como cada uma delas atuará.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. Hoje trabalha como colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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