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30anos.com.br! Vigoroso, o domínio do nosso país continua muito atraente

Cristina De Luca

18/04/2019 10h00

O domínio ".br" completa 30 anos de ativação nesta quinta-feira, 18 de abril.  Foi nesta data, em 1989, que Jon Postel, responsável pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority), considerou o time brasileiro da Fapesp que trabalhava na interligação das redes acadêmicas do país maduro o suficiente para operar o .br, ainda bem antes de a primeira conexão à internet ter acontecido no país.

Pensando em facilitar a identificação das máquinas que comporiam a rede nacional de pesquisa, o grupo que operava a rede ANSP na Fapesp registrou o domínio .br nas tabelas internacionais. Na época, o domínio foi utilizado para identificar as máquinas que participavam das redes já utilizadas pelos acadêmicos – a BITNET (Because It's Time NETwork), a HEPnet (High Energy Physics Network) e a UUCP (Unix-to-Unix Copy Program).

"Queríamos dar nomes às máquinas", explica Demi Getschko, diretor presidente do NIC.br, na época integrante da equipe comandada pelo professor Alberto Courrege Gomide na Fapesp. "Foi criado um esquema de nomenclatura a partir do que usávamos na ANSP. Bastava trocar o SP da ANSP pela sigla do Estado correspondente. Tentávamos qualquer coisa que ajudasse a expansão do correio eletrônico e da rede", lembra Demi.

Quando o backbone da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) começou a operar, em 1990, instituições acadêmicas com capacidade de gerir seu próprio sub-domínio operavam endereços na forma usuario@máquina.(…) instituição.br. Instituições sem condições de gerir seu próprio sub-domínio usavam o formato  usuario@máquina.(…) instituição.ANxx.br, onde AN significava "academic netork" e "xx" a sigla do Estado correspondente

As criações do domínio ".br" e da Rede Nacional de Pesquisas formaram a gênese da Internet no Brasil.  Quase dois anos depois do registro do domínio nas tabelas internacionais o Brasil faria a sua primeira conexão à Internet, já usando o domínio de país.

Após novas conversas de Michael Stanton e Alberto Gomide com Jon Postel, o Brasil ganhou autonomia para distribuir internamente endereços IP, fundamentais para a expansão da Internet no país. O que poucos sabem é que o Brasil foi um dos poucos países a conseguir essa independência, graças à clara evolução da rede acadêmica e da gestão do domínio .br. Diante das evidências, Postel  concordou em repassar um bloco com quatro milhões de endereços: de 200.128.*.* até 200.255.*.*.

Hoje, o Brasil é o terceiro país do mundo com o maior número de domínios ativos, atrás somente da Alemanha e do Japão. São mais de 4 milhões de registros com o final .br.  "Como sempre tomamos muito cuidado para que não houvesse especulação comercial com os nomes de domínios na Internet, os domínios registrados embaixo do .br são efetivamente usados por seus proprietários", comenta  Demi.

Dados da pesquisa TIC Empresas 2017, do CGI.br, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do NIC.br, dão conta que 92% das empresas brasileiras que possuem uma presença na Internet usam o domínio ".br".

Entre os cerca de 300 domínios de país (ccTLDs) existentes atualmente, o ".br" é o sétimo mais popular e o nono entre aqueles que publicam suas estatísticas regularmente.

Embaixo do .br existem 120 subdomínios, que preservam a semântica das categorias de nomes. "Em 1991, quando os acessos acadêmicos à Internet começaram, tomamos a decisão de seguir a semântica americana e criar embaixo do .br as categorias "gov.br", "com.br", "net.br", "org.br" e "mil.br", destinado respectivamente ao governo, empresas, organizações sem fins de lucro e forças armadas", disse Demi.

Hoje há categorias para interesses específicos (como "ong.br", "art.br", "eco.br"), para profissionais liberais ("bio.br", "adm.br", "mus.br", "med.br", "eng.br", entre outros) e até para cidades (por exemplo, "rio.br", "manaus.br", "cuiaba.br", "floripa.br", "foz.br"), disponíveis para registros por pessoas física ou jurídicas,  e alguns domínios com patronos (b.br, leg.br, jus.br, gov.br, coop.br etc), disponíveis apenas para membros desses campos de atuação (bancos, poder legislativo, Justiça, governo, cooperativas, etc).

O ".br" diferencia-se de outros domínios, inicialmente, por ser restrito a indivíduos e empresas no país, e também por adotar recursos de segurança como autenticação em duas etapas (token), resolução de DNS com garantia de segurança e criptografia (DNSSEC).

Nosso registro é um dos mais estáveis do mundo. A resiliência é aumentada com as numerosas cópias de servidores que possui no Brasil (10 ao todo, com a entrada em operação do servidor em Fortaleza), além de manter servidores estrategicamente espalhados pelo mundo (Estados Unidos, Europa e Ásia).

O valor cobrado pelo registro (R$40 por ano, com exceção do .non.br, para pessoas físicas, que custa R$ 40,00 pelo período mínimo de 3 anos e R$ 12,00 para cada ano de renovação) mantém os custos da operação da Internet no Brasil. O NIC.br, braço executor como Comitê gestor da Internet, conta com uma equipe de atendimento própria, formada por funcionários do registro.br, que zela pela presteza e correção dos serviços, e pelo esclarecimento de dúvidas.

Toda a receita obtida com a cobrança pelo registro dos domínios é investida em ações para melhorar a Internet no país, como ferramentas para a medição da qualidade de banda larga (SIMET) e os cursos gratuitos de IPv6. "Além de manter a estrutura técnica de excelência para atividade principal de registro e publicação de nomes de domínio, retribuímos a confiança dos brasileiros promovendo atividades como implementação e operação de Pontos de Troca de Tráfego Internet, produção de pesquisas sobre o uso da Internet, entre tantas outras ações e projetos", comenta Demi.

Nos últimos anos a velocidade de registro de novos domínios embaixo do .br diminuiu. Mas voltou a crescer nos últimos meses. O recente recurso de "redirecionamento de página" do ".br" contribuiu para que usuários das mais diversas áreas e aplicações pudessem escolher uma forma estável e perene para sua identificação na Internet. Ao utilizar o redirecionamento, os usuários do ".br" podem conduzir seu público a páginas de redes sociais, ou a qualquer outra URL, com a flexibilidade de alterar o endereço no momento que desejar, sem perder sua identidade original. Isso ajudou o .br a voltar a ganhar impulso.

A capacidade técnica da equipe do registo.br é tão grande que a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) concordou em instalar aqui cópias de l.root-servers.net que operam juntamente com servidores do .br nos Pontos de Troca de Tráfego brasileiros. Essa infraestrutura amplia substancialmente, e de forma distribuída, a capacidade de resolução de nomes aqui no Brasil, diminuindo o tempo de resposta para domínios de todo o mundo aqui, além de aumentar a segurança ao distribuir a conectividade internacional para o serviço de resolução de nomes junto à raiz da Internet dentro do país e de forma independente.

 l.root-servers.net é um dos servidores-raiz  de nomes de domínio da Internet, uma parte crítica da rede. Os 14 do Brasil estão entre a mais alta hierarquia de servidores responsáveis pela transformação de nomes de sites, como www.uol.com.br, em endereços IP usados pelos computadores. Poucos países possuem mais de quatro cópias de servidores DNS raiz. Entre eles estão Alemanha, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido.

 NIC.br também foi escolhido como provedor de "back end" para gerenciar e publicar a base de dados com os nomes de novos sufixos genéricos na Internet, os chamados "top level domains", junto à ICANN. Hoje administra os domínios da prefeitura do Rio de Janeiro (.rio), das Organizações Globo (.globo), do UOL (.uol)  e da Natura (.natura).

"O próprio NIC.br submeteu propostas para obtenção de novos domínios .bom e .final, para qualquer eventualidade", explica Demi Getschko. Segundo ele, a atuação do NIC.br como "operador de back end" é um movimento de defesa do .br, já que diversos operadores multinacionais já se preparam para atuar no Brasil.

Os planos são os de lançamento dos domínios .bom e .final ainda este ano, e por um preço menor que o domínios embaixo do .br.

A ver.

Eu adoraria ter um domínio "inconstestavel.final"!

 

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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