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Robô-táxi será um negócio sustentável em pouco tempo

Cristina De Luca

24/04/2019 08h31

O CEO da Tesla, Elon Musk, subiu ao palco do "Autonomy Investor Day" na segunda-feira, diante de algumas dezenas de investidores, para colocar um ponto de exclamação nas recentes melhorias nos veículos da montadora. "Todos os Teslas produzidos hoje têm tudo o que é necessário para a autonomia total – tudo o que você precisa fazer é melhorar o software", disse Musk durante uma apresentação de quase três horas no evento anual  da companhia.

Musk destacou os avanços que a Tesla fez na criação de seus próprios processadores, melhorando sua Inteligência Artificial em situações de direção semi-autônoma e aplicando atualizações de software em sua frota ativa de mais de 400 mil carros.

Para o pessoal do The Information, a afirmação mais ousada do CEO veio durante a sessão de perguntas e respostas, quando Musk prometeu ter "pelo menos algumas" aprovações regulatórias para testes do robôs-táxis totalmente autônomos em vias públicas já em 2020.

Elon Musk quer um milhão de "robôs-táxis" na estrada no ano que vem. O que significa um milhão de carros sem motorista que podem operar comercialmente em uma rede de passeio, gerando renda passiva para seus proprietários. É uma meta ambiciosa para a fabricante de veículos elétricos, que tem um histórico de atrasos nos prazos anunciados.

Recentemente, em seu informe do quarto trimestre, a Tesla disse que pretende entregar entre 360 ​​mil e 400 mil veículos em 2019, cerca de 45% a 65% a mais do que suas entregas no ano passado.

Para alcançar um milhão de robôs-táxis em 2020, a Tesla teria que continuar produzindo carros perto do limite máximo da sua produção este ano. Então, a maioria desses carros teria que obter as atualizações de software necessárias para atingir o status de self-driving, que atualmente custa US $ 5 mil quando os clientes pedem o carro ou US $ 7 mil como upgrade após a entrega, embora esses preços possam mudar com o tempo. Por fim, os proprietários teriam que concordar em deixar seus carros participarem de uma rede de robôs da Tesla.

Durante o evento, a Tesla disse que atingirá a "a direção 100% autônoma" em dois anos. O problema é que a companhia vem prometendo isso desde 2015.

Alcançar a autonomia total segue sendo um grande desafio para os veículos motorizados.  Os fabricantes de automóveis têm estimativas muito diferentes de quantos anos ainda nos separam dessa realidade.

Na semana passada, a jornalista Karen Hao, da MIT Technology Review, entrevistou Amnon Shashua, CEO da Mobileye, com o objetivo de entender em que pontos estamos dessa jornada. A fabricante israelense de tecnologias autônomas, adquirida pela Intel em 2017, tem parcerias com mais de duas dúzias de montadoras e é um dos principais players deste mercado.

Shashua abordou aspectos tecnológicos, de regulamentação e de negócios considerando três objetivos na construção de carros autônomos: segurança, utilidade e acessibilidade, do ponto de vista econômico. De uma perspectiva técnica, ele divide a tecnologia de mobilidade autônoma em duas partes: percepção e capacidade de tomada de decisão.

O primeiro desafio, diz ele, é construir um sistema autônomo que consiga perceber melhor a estrada do que o melhor condutor humano. "Isso significa que o sistema de percepção de um automóvel autônomo pode falhar uma vez a cada 10 milhões de horas de direção".

Hoje, os melhores sistemas de assistência de condução percebem incorretamente algo em seu ambiente uma vez a cada dezenas de milhares de horas, diz Shashua. "Estamos falando de uma lacuna de três ordens de magnitude."

Além de melhorar a visão computacional, ele vê outros dois componentes necessários para preencher essa lacuna: a criação de redundâncias no sistema de percepção, usando câmeras e radares, e o desenvolvimento de mapas altamente detalhados do ambiente, para tornar ainda mais fácil para um carro processar seus arredores.

O segundo desafio é construir um sistema que possa tomar decisões razoáveis, como a velocidade com que dirige e quando mudar de faixa. "Mas definir o que constitui "razoável" é menos um desafio técnico do que um regulatório", diz ele. Os reguladores devem formalizar os limites de tomada de decisão razoável de modo que os fabricantes possam programar seus carros para agir somente dentro deles.

O último desafio, o de criar um carro com preço acessível, depende das montadoras. No curto prazo, com a tecnologia ainda em dezenas de milhares de dólares, apenas um negócio será financeiramente sustentável, na opinião de Shashua:  o robô-táxi. "Estamos falando do período de 2021, 2022", diz ele.  A Mobileye planeja lançar um serviço táxi autônomo com a Volkswagen, em Tel Avi, em 2022.

Qual dos dois estará mais próximo de lançar o serviço, Musk ou Shjashua?

Correndo por fora, a Uber garantiu US $ 1 bilhão em investimentos externos em seu projeto de autônomos, de um grupo de operadores da indústria automobilística (Toyota e Denso) e da Softbank.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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