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Empresas que usam Inteligência Artificial devem ser reguladas com rigor

Cristina De Luca

01/07/2019 18h09

Pesquisa realizada pela Ipsos para a 13ª Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Econômico Mundial (WEF), que acontece esta semana na cidade de Dalian, na China, revela que é preciso haver um maior escrutínio do uso de Inteligência Artificial. Ainda há obstáculos a serem superados, como preocupações éticas sobre como os dados são armazenados e usados.

Foram ouvidas 20 mil pessoas, em 27 países. No geral, a pesquisa descobriu que mais de 40% dos entrevistados estavam preocupados com o uso da IA, enquanto 32% estavam indecisos e 27% despreocupados.

Quase metade das pessoas entrevistadas disseram que as empresas que usam AI devem ser reguladas com mais rigor, enquanto apenas 20% discordam.

Curiosamente, a adoção da tecnologia por governos é vista com um pouco menos ceticismo, com 40% das pessoas dizendo que as restrições precisam ser reforçadas. Isso apesar de a Inteligência Artificial já começar a impulsionar a tomada de decisão política. E, apoiada por máquinas complexas estudando fenômenos sociais complexos, a ação do governo estar se tornando ainda mais impenetrável e inescrutável para as pessoas mais afetadas por um mundo em mudança.

A pesquisa destaca temas mais abrangentes que a Rede de Especialistas do WEF está explorando, à medida que a IA se torna cada vez mais sofisticada.

Há um grande preocupação da Rede de Especialistas, por exemplo, com a proteção dos dados pessoais, já que os dados são a base para muitas aplicações revolucionárias de Inteligência Artificial, do sequenciamento de genes à robótica, à modelagem das mudanças climáticas, ao desenvolvimento de veículos autônomos e à melhoria dos rendimentos agrícolas.

Subconjuntos de IA, algoritmos de aprendizado de máquina e especialmente as redes neurais, requerem enormes conjuntos de dados para treinamento. Quanto mais dados, mais precisas são as suas previsões.

Atualmente, algumas grandes corporações são favorecidas, pois são as melhores posicionadas para coletar e processar grandes quantidades de dados de comércio eletrônico, assistentes digitais e outras fontes.

Vários países também têm vantagens inerentes devido ao tamanho de suas populações, com vastos conjuntos de dados colecionáveis ​​sobre muitas facetas da vida, desde a condução de comportamentos até o uso de telefones celulares e navegação na internet. Isso leva a um desequilíbrio de poder e riqueza, causado pela informação estar nas mãos de poucos, que têm a oportunidade de usar esses grandes volumes de dados para obter inferências significativas e obter economias de escala.

Esses tópicos, juntamente com o impacto mais amplo da inovação tecnológica na economia global e na sociedade, estão sendo debatidos por mais de 1.800 líderes nesta reunião de verão do Fórum na China.

Nesta segunda-feira, por exemplo, durante um painel sobre os aspectos éticos da tecnologia e seus usos, a PwC liberou um guia com recomendações para a prática responsável da IA. Vale ler. E implementar.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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