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Amazon destoa em trimestre positivo para a maioria das plataformas digitais

Cristina De Luca

26/07/2019 17h38

Na semana passada havia uma grande expectativa entre os analistas de mercado com relação aos informes de resultados trimestrais das grandes gigantes digitais. Pairava no ar a sensação de desaceleração de crescimento… Publicados os números, foi o que se constatou, apesar de a maioria ter reportado ganhos acima dos esperados por Wall Street, com exceção da Amazon, que ficou abaixo das previsões, pressionada pela intensa competição com rivais como Walmart e pelos gastos com marketing e com o Amazon Prime.  A entrega em um dia para os membros Prime está custando caro à empresa.

As ações da gigante do e-commerce e da nuvem caíram na quinta-feira, após a divulgação dos resultados do trimestre. Pesou no humor dos investidores o fato de a companhia estar enfrentando dificuldades em suas operações, como custos de frete mais altos, desaceleração do crescimento de seus negócios de nuvem e uma perda acentuada em seus negócios de varejo no exterior.

O lucro da Amazon no trimestre cresceu apenas 3,6% em relação ao ano passado, depois de mais que dobrar no trimestre anterior. E, para completar a safra de más notícias, a Amazon Studios cancelou e adiou vários projetos por já ter comprometido a maior parte de seu orçamento para este ano.

Já o Facebook registrou 28% de crescimento de receita e um grande lucro. Sinal de que os investidores digeriram bem as notícias recentes da multa recorde de US$ 5 bilhões imputada pela Federal Trade Commission. Mas suas taxas de crescimento trimestrais e anuais também estão encolhendo. A receita publicitária, que cresceu 26% neste trimestre, na variação anual, tinha crescido 38% no trimestre anterior.

Ok, historicamente os gastos com anúncios normalmente aumentam durante o quarto trimestre fiscal e são menores durante o primeiro trimestre, como é o caso do Facebook agora. O problema é que os números da empresa sugerem que a receita de anúncios está diminuindo. O preço médio dos anúncios caiu 4% no trimestre, enquanto as impressões de anúncios aumentaram 33%, com o Stories impulsionando esse crescimento.

Dado relevante:  recentemente, a empresa mudou a forma de relatar o números de usuários, passando a adotar uma única métrica englobando todas as suas propriedade (ou aplicativos, como queiram). Para muitos, uma forma de esconder uma provável queda no número de usuários ativos no próprio Facebook, compensada pelo crescimento do Instagram. Uma mágica contábil que parece estar funcionando. O número de usuários ativos diariamente nos serviços de propriedade de Mark Zuckerberg cravou a previsão dos analistas (1,59 bilhão), bem como o de usuários ativos ao mês (2,41 bilhões). A quantidade de usuários registrados é agora de 2,7 bilhões.

A Alphabet, controladora do Google, também relatou receita e lucro trimestrais acima das expectativas, demonstrando resiliência no mercado de publicidade ligada às buscas.  Havia uma preocupação enorme entre os investidores com o segmento de adsearch, considerado um dos principais negócios da empresa. Pois bem, a margem operacional do trimestre, considerando as receitas de publicidade como um todo, foi de 24%. Acima portanto dos 18% do trimestre anterior.

No último trimestre, as ações do Alphabet caíram quando o Google anunciou uma desaceleração no crescimento da receita, em grande parte por culpa de uma mudança  implementada no YouTube. Agora, a receita do YouTube voltou a mostrar força. O serviço foi o segundo maior contribuinte para o crescimento. E muitos analistas já esperam que a receita com publicidade no Google Maps e no YouTube siga sustentando o bom desempenho do negócio de publicidade da companhia nos próximos meses.

Houve aumento de 28% nos cliques pagos nas propriedades Google nesse trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Mas o custo por clique caiu 11% no mesmo período. Além disso, os negócios com nuvem e hardware, embora não tenham decolado, melhoraram. O Google Cloud atingiu uma taxa de receita anual de mais de US $ 8 bilhões, representando o terceiro maior impulsionador de crescimento de receita da Alphabet, atrás de anúncios de busca e do YouTube,  e o maior driver na rubrica "outras receitas".

Ah! Para estimular os investidores, a Alphabet anunciou um programa de recompra de ações classe C de US$ 25 bilhões. O maior em sua história.

E a Apple? Bom, a Apple só divulgará seus resultados na próxima semana. A expectativa dos analistas é a de que a empresa registre um aumento de mais de 20% na receita de serviços, que inclui a iCloud e a App Store. O problema é que cerca de metade da receita da companhia ainda depende das vendas do iPhone, que têm previsão de queda. Então… A previsão do mercado é o de que Apple apresente um ligeiro aumento de receita, como um todo, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, impulsionado pelos segmentos de Serviços e Wearables. A ver.

O futuro?
Wall Street segue preocupada com o crescente escrutínio regulatório das Big Techs. O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), que já havia realizado revisões informais antitruste da Alphabet e da Amazon, depois de um acordo entre o Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comércio, anunciou no início desta semana uma nova investigação em todas as grandes empresas de tecnologia.

Ainda não está claro o que as agências estão examinando ou quão agressivamente elas pretendem agir.

De todo modo, Wall Street teme que as gigantes da tecnologia entrem em uma espiral que, anos atrás, foi muito ruim para os bancos: custos estruturalmente mais altos e retornos mais baixos, causados ​​por regulamentação mais rígida.

Antes da crise financeira de 2008, o setor financeiro era a força dominante no S&P 500. Respondia por 22% do valor do índice em 2006, a mesma participação da tecnologia hoje, segundo Tom Braithwaite, em artigo publicado no Financial Times.

Até o último dia 19 de julho, Microsoft, Apple, Amazon e Facebook responderam por 19% do retorno total do S&P 500 este ano, de acordo com dados da S&P Dow Jones Indices. Essa taxa está praticamente alinhada com as contribuições feitas pelas maiores ações de tecnologia em 2017 e em grande parte do ano passado. Por conta disso, os administradores das empresas de tecnologia olham para a possibilidade regulamentação e perdas com a mesma soberba que o setor financeiro olhava em 2006.

Espera-se que a receita combinada da Apple, Amazon, Alphabet e Facebook aumente em média 14% ao ano nos próximos três anos, com base no consenso dos analistas. Mas os políticos de todos os matizes estão agora de olho na Big Tech. A própria investigação do Departamento de Justiça é um avanço em relação aos planos anteriores de fiscalizar o setor. Então, tem muita gente recomendando cautela.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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