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#TellNet: Como conseguir um bom emprego na área de cibersegurança?

Cristina De Luca

05/08/2019 21h50

Por Denny Roger *

Recebo diversos contatos solicitando indicações sobre cursos e certificações na área de cibersegurança. Algumas respostas são sempre polêmicas, especialmente quando estou em alguma instituição de ensino. Vamos entender melhor o que realmente acontece na prática.

Estive conversando com dois colegas sobre como conseguir um bom emprego. Um dos pontos discutidos foi como o entrevistador consegue avaliar os conhecimentos do candidato. O assunto surgiu porque percebemos que muitos profissionais ocupam cargos na área de cibersegurança  ou segurança da informação sem possuírem o perfil necessário para exercer a função.

Em muitos casos, a culpa não é do profissional que está exercendo a função e sim da pessoa que o contratou. Esta pessoa pode não possuir o conhecimento necessário para avaliar o perfil do profissional. Existe também outra situação na qual o empregador avalia o conhecimento do candidato através das indicações e das certificações.

Veja os erros e acertos na escolha de profissionais de cibersegurança e segurança da informação:

1) Referências
A indicação não funciona porque o candidato à vaga pode fornecer o contato de um amigo ou parente como referência. É óbvio que o amigo ou parente irá fornecer boas referências. E isso ocorre com muita frequência.

2) Certificações
O mercado exige que você tenha determinadas certificações. Caso você queira conseguir um emprego ou ganhar um aumento no salário, basta estudar e ser aprovado em algumas provas (por exemplo, CISSP).

3) Só no papel
Muitos profissionais são certificados porque a empresa pagou ou exigiu que o funcionário tivesse a certificação.

Existem diversos casos onde o profissional é certificado em uma determinada tecnologia, mas atua em outra área. Por exemplo, um dos nossos colegas de trabalho conseguiu recentemente a certificação CCIE (Cisco Certified Internetwork Expert). Porém, este profissional atua com sistemas Windows – possui experiência em uma área, mas é certificado em outra. Este colega só "buscou" a certificação por solicitação da empresa.

4) Teoria e prática
A certificação prova que a pessoa tem capacidade de aprender sobre algum assunto. A certificação não prova que a pessoa está preparada para exercer uma determinada função na área de cibersegurança ou segurança da informação.

Por exemplo, muitos profissionais estão buscando certificações baseadas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e/ou no Regulamento Geral de Proteção de Dados, conhecido como GDPR, para serem reconhecidos como DPO (Data Protection Officer). Porém, quais são as credencias de projetos bem sucedidos que este profissional liderou, baseado nos controles e processos determinados pela LGPD ou GDPR? Qual é a experiência desse profissional em criptografia de ambientes computacionais baseados em Big Data? Qual é a experiência desse profissional em Governança de Dados (ingestão, processamento e consumo de dados confidenciais)?

A certificação prova que a pessoa tem capacidade de estudar e ser aprovada no exame. Porém, não evidência as experiências práticas como DPO.

5) Atualização constante
A tecnologia evolui muito mais rápido do que qualquer curso ou certificação. Na área de cibersegurança e/ou segurança da informação estamos aprendendo coisas novas todos os dias. Os cursos e certificações ficam ultrapassados muito rápido.

6) Habilidade
O mais importante é a sua capacidade em resolver problemas, principalmente usando tecnologias disruptivas, e criar estratégias pró-ativas contra as novas ameaças. As certificações não irão lhe ajudar no momento em que o seu ambiente computacional estiver sofrendo um novo tipo de ataque ou fraude.

Mortais e imortais
A área de recursos humanos e até mesmo o entrevistador técnico precisam entender que existem os imortais e os mortais de cibersegurança e segurança da informação.

Os imortais são as pessoas que conseguem comprovar a sua experiência e são reconhecidos pela comunidade de cibersegurança ou segurança da informação. São pessoas que compartilham o seu conhecimento com os seus colegas de trabalho, ministram palestras, desenvolvem cursos, escrevem artigos, participam de grupos de discussão etc.

Os mortais são as pessoas que têm como objetivo possuir algum tipo de certificação para tentar diferenciar-se no mercado de trabalho.

 

(*) Denny Roger é especializado em cibersegurança e Transformação Digital para setor financeiro, incluindo trabalhos com Open Banking, Blockchain, DevSecOps, Autenticação Biométrica, Big Data, Arquitetura de Segurança de TI e Prevenção a Fraudes.

Sobre a autora

Cristina De Luca é jornalista especializada em ambiente de produção multiplataforma. É diretora da ION 89, startup de mídia com foco em transformação digital e disrupção. Foi diretora da área de conteúdo do portal Terra; editora-executiva da área de conteúdo da Globo.com; e editora-executiva da unidade de Novos Meios da Infoglobo, responsável pela criação e implantação do Globo Online. Foi colunista de tecnologia da Rádio CBN e editor-at-large das publicações do grupo IDG no Brasil. Master em Marketing pela PUC do Rio de Janeiro, é ganhadora do Prêmio Comunique-se em 2005, 2010 e 2014 na categoria Jornalista de Tecnologia.

Sobre o blog

Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital.

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