Porta 23 http://porta23.blogosfera.uol.com.br Este blog, cujo nome faz referência à porta do protocolo Telnet, que é o protocolo de comunicação por texto sem criptografia, traz as informações mais relevantes sobre a economia digital Sat, 17 Aug 2019 16:06:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Contagem regressiva à adequação e à aplicação da Lei de Proteção de Dados http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/17/contagem-regressiva-a-adequacao-e-a-aplicacao-da-lei-de-protecao-de-dados/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/17/contagem-regressiva-a-adequacao-e-a-aplicacao-da-lei-de-protecao-de-dados/#respond Sat, 17 Aug 2019 15:20:45 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5488 Esta semana a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) fez um ano. Estamos exatamente no meio do caminho para a sua vigência. A partir de 15 de agosto de 2020, empresas públicas e privadas, de todos os segmentos, não só aqueles que atendam diretamente o cidadão ou ou consumidor final, deverão estar prontas para cumprir a lei.

Para atender à LGPD é provável que essas empresas estejam hoje em pleno processo de adequação de suas práticas às obrigações legais, promovendo uma série de mudanças na forma como coletam, armazenam e usam dados pessoais. É a hora de a teoria dar lugar ao trabalho de conformidade, que envolve toda a organização, de ponta a ponta, e todos os seus parceiros.

O rol de afazeres é grande e quase sempre obriga a contratação de ajuda externa. Por isso, duas figuras estão em evidência: os advogados especializados em privacidade e proteção de dados e os integradores de sistemas, em especial os da área de segurança e gestão de riscos. Perdi a conta da quantidade de eventos realizados nos últimos dias dando voz a eles. Desses eventos, recolhi alguns pontos em comum que gostaria de compartilhar aqui com vocês.

O primeiro ponto é em relação as atividades iniciais que toda empresa ciosa do cumprimento da lei deve empreender, como designar uma equipe multidisciplinar interna, abrangendo desde o time de TI até a equipe jurídica, de compliance, de RH, de Marketing, de compras e etc, para acompanhar o trabalho de conformidade.

O segundo é a criação de uma política de classificação dos dados, etapa fundamental para entender quais dados estão sendo recebidos, como eles chegaram na organização, qual o propósito de sua utilização, onde estes dados estão sendo armazenados, como estão sendo usados, por quem, para onde estão sendo enviados e como serão descartados. Esse inventário será fundamental para a criação de uma trilha auditável dos dados.

Portanto, uma boa governança dos dados, que considere a ideia do ciclo de vida desses dados para a organização, será super importante para se manter compliance a partir de agosto de 2020.

É aí que começam a surgir as dificuldades.

“Eu diria que o principal desafio é compreender que inovação e privacidade não são valores contrapostos, mas interdependentes”, comentou o professor Bruno Bioni, fundador do Data Privacy Brasil, durante sua palestra na Privacy Week, promovida pela Inloco University.

“Muitas organizações que já passaram por essa etapa de conformidade, e estão mais à frente na proteção de dados, descobriram que a regulação pode ser uma janela de oportunidade para repensar processos”. A legislação entra aí como uma espécie de fiel da balança entre a atividade econômica e as liberdades individuais, para estabelecer as regras para todos os momentos nos quais os agentes econômicos, públicos ou privados, trocarem dados com os cidadãos/consumidores.

Em outras palavras, a LGPD chega para definir as responsabilidades e os direitos de todos na chamada Economia Digital, movida e orientada por dados. E em todas as atividades, on e offline.

“Quando a gente vai passar na catraca do metrô, ou do busão, aproxima o nosso Bilhete Único do sensor, não é? Nesse momento a gente está trocando dados. Quem está coletando aquele dado? É só a concessionária que presta o serviço? Como ela vai fazer para compartilhar esse dado com um gestor público que precise dele para criar uma política pública de transporte? A gente precisava de uma lei geral para estabelecer as regras do jogo, trazer segurança para o próprio cidadão _ de como ele enxerga e pode eventualmente controlar os seus dados pessoais _e também para os agentes econômicos que processam esses dados. Não cabia ter mais uma lei setorial para tratar disso especificamente”, explicou Bioni.

Na opinião dele _ e também do advogado Rony Vainzof, sócio do escritório Opice Blum, durante um debate no Informationshow, realizado pelo Portal Information Management _ as organizações que já internacionalizaram essa visão positiva da LGPD já começaram a achar insights para adequar os seus modelos de negócio, produtos e serviços ao texto legal. Isso porque, ao criarem trilhas auditáveis dos dados, essas organizações foram forçadas a colocar mais ordem nas informações em poder delas. E essa ordem acabou gerando novas oportunidades de negócio, provando que é possível inovar dentro da lei.

Autoria: Bruno Bioni e Maria Cecília

O segundo desafio é encarar a conformidade com a LGPD como um processo contínuo. De nada adianta achar que o processo de conformidade é uma corrida de 100 metros. Na verdade, em agosto de 2020 iniciamos uma maratona sem fim. Nesse momento estamos apenas nos preparando para ela.

O processo de conformidade não é um processo finito. Não basta chegar a agosto de 2020 com todos processos auditados e todos os documentos necessários para apresentar para o regulador. O diagnóstico de risco é só o começo. E também uma janela de oportunidade para os integradores de soluções de gestão de risco automatizarem todo o processo.

Ter uma trilha auditável de todo o processo de gestão de dados fará parte do dia a dia de todas as organizações. “E os gestores das empresas farão bem se não pensarem somente em mitigar o risco regulatório, mas também em como todo esse processo de conformidade poderá pivotar sua organização inteira em termos de inovação”, defendeu Bioni.

“Ah! Tudo muito complicado…. E vai custar caro”, você pode pensar.  Talvez. Mas não olhe para isso como custo. Olhe como investimento!

Após o escândalo da Cambridge Analytica, os consumidores ficaram mais ciosos do uso de seus dados pessoais. Principalmente, daquelas pegadas digitais que deixamos a cada interação na nossa jornada diária. Em todo mundo, os órgãos de defesa de consumidor vêm alertando para os riscos que um pânico geral pode provocar na economia, se os consumidores começarem a se recusar a fornecer dados por falta de confiança em quem os está tratando. Já abordei esse assunto aqui, no texto “Consumidor, qual valor você é capaz de extrair dos seus dados?“, publicado em março deste ano.

“Quem olhar para a LGPD para além de uma obrigação legal não vai só calibrar a reputação da sua organização com base no medo de sanções, de multas milionárias por infração. A gente sabe que o terrorismo está correndo solto nesse sentido.  Vai pensar também em reorganizar e rever processos para gerar confiança em seus clientes e parceiros de negócio ao dar maior transparência ao uso dos dados. Proteção de dados pode ser um diferencial competitivo”, explicou Bioni.

Gente, o grande diferencial

Mas esse processo de conformidade contínuo não será bem executado se for baseado apenas na contratação de excelentes consultorias jurídicas e na implementação de excelentes ferramentas tecnológicas. Será preciso mudar a cultura organizacional no sentido de incutir a preocupação com a proteção de dados pessoais na mente e na  atuação de todos os colaboradores. O elemento humano dentro da organização terá que se engajar nesse processo. “Por que, senão, ele vai ser o grande buraco negro, onde as coisas vão acontecer”, comentou Bioni.

Sabe aquele bando de planilhas voando para lá e para cá? Bases cadastrais enviadas por e-mail para fornecedores sem qualquer proteção? Pois é! Tudo isso vai ter que acabar.

Vale lembrar que o elemento humano é sempre o elo mais fraco de qualquer sistema de segurança da informação. Não vai ser diferente com a proteção de dados.

O princípio de Privacy by Design (Privacidade por concepção) também entra aqui. Produtos e serviços devem ser concebidos e projetados com privacidade como uma prioridade absoluta, juntamente com quaisquer outras finalidades que atendam. É o que vai garantir que o usuário, titular dos dados, esteja no centro de toda a atividade da organização. E também o que vai prevenir a ocorrência de problemas.

Por fim, o terceiro desafio é entender que a lei é apenas um dos vetores para a construção de uma ecossistema que assume a proteção de dados pessoais como um direito fundamental do cidadão.

Para que a proteção de dados pessoais seja de fato efetiva, será preciso ter uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) forte e atuante, especialmente no que diga respeito à educação de todos para o tema e à elaboração de boas práticas para cada atividade em particular. A autoridade não pode, e não deve, ter apenas um caráter punitivo.

A cada dia fica mais evidente que o modelo predominante de uso de dados é indispensável. Porém, pode ser irresponsável, perigoso e até abusivo. Como é que a Justiça irá lidar com o tema? Isso dependerá muito da atuação da ANPD. Portanto, é preciso acompanhar de perto a sua criação.

No Uruguai, por exemplo, a autoridade deles está atuando nesse momento para incluir ética, privacidade e proteção de dados como disciplina obrigatória no currículo escolar, desde a infância. “Acreditamos que assim estaremos formando a consciência dos futuros cidadãos e consumidores”, disse a assessora Jurídica do Parlamento Uruguaio, Laura Nahabetian Brunet, durante o evento da Inloca University.

Lá, as multas são menores que no Brasil. Mas já houve o caso de suspensão total de atividades econômicas por conta de descumprimento da lei. Aqui, a multa é alta, mas a suspensão de atividades (talvez a sanção mais drástica) foi retirada da LGPD.

Em resumo, a criação de uma cultura de proteção de dados pessoais no Brasil deve ser o maior objetivo de todos nós, brasileiros, a partir da entrada em vigor da LGPD. Conseguiremos?

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Sobre gestão de risco

Ao aplicar um processo de gestão de riscos da mesma forma que ele foi adotado tempos atrás para segurança da informação, focado na garantia de privacidade e conformidade com a LGPD, serão construídos os cenários de riscos e os seus tratamentos com controles aplicáveis aos principais ativos que manipulam informações: pessoas, processos e tecnologias – expandindo o que foi definido na ISO 27001.

Nesse momento, a ISO (International Standard Organization) está em processo final de aprovação da norma ISO/IEC 27552 , que é uma expansão da ISO/IEC 27001 para o aspecto de privacidade. Ela defende uma abordagem baseada em riscos para que cada organização em conformidade lide com os riscos específicos que ela enfrenta, bem como os riscos para os dados pessoais.

É bom ficar de olho!

O tamanho do problema

Em qualquer atividade de tratamento de dados pessoais deve utilizar apenas os dados necessários e adequados à finalidade específica – e esta, por sua vez, deve encontrar fundamento em uma base legal. O escritório Opice Blum consolidou as análises de mais de 12 mil operações de tratamento de dados pessoais e elaborou um infográfico contemplando a previsão de como deverá se dar a escolha de bases legais, após a eficácia da LGPD.

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Por que é preciso incluir proteção de dados entre os direitos fundamentais http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/por-que-e-preciso-incluir-protecao-de-dados-entre-os-direitos-fundamentais/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/por-que-e-preciso-incluir-protecao-de-dados-entre-os-direitos-fundamentais/#respond Tue, 13 Aug 2019 11:26:13 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5441 Você se lembra onde estava neste mesmo horário na semana passada? No mês passado? E no ano passado? Provavelmente, algumas dessas informações já foram apagadas da sua memória, mas continuam registradas nos bancos de dados de várias empresas: a operadora de telefonia celular, a empresa produtora do seu smartphone, a prestadora do serviço de transporte pessoal que utilizamos, e por aí vai…

Em cada curtida feita nas redes sociais, cada clique nos sites que visitamos, conversa com o gerente do banco, pagamento na farmácia ou no supermercado em que a gente dá o nosso CPF em troca de um desconto, ou mesmo no uso dos vários aplicativos instalados nos nossos smartphones, deixamos para trás dados pessoais que vão muito além do nosso nome, RG, endereço…

Todos esses rastros vinculados a nós são pedaços de informações que, uma vez agrupados, são capazes de compor um retrato bastante preciso sobre nossos gostos, predileções, características… de nossa personalidade.

A partir desse retrato da nossa personalidade, uma série de decisões serão tomadas a nosso respeito. Se não estivermos no controle dos nossos próprios dados, pouco poderemos fazer a respeito de como seremos vistos e, até mesmo, julgados.

Muitas vezes “essa imagem virtual construída a nosso respeito nos leva a lugares desconhecidos, sem que saibamos, impactando as nossas vidas em uma sociedade cada vez mais orientada por dados”, costuma dizer o professor Bruno Bioni, fundador do Data Privacy Brasil.

O fato de os dados pessoais serem a expressão direta da nossa própria personalidade é um dos motivos que levou vários países a incluírem sua proteção entre os direitos fundamentais do cidadão, explicitados na Constituição. E a considerarem a proteção de dados pessoais um instrumento essencial para a proteção da pessoa humana. O Brasil caminha agora nessa direção.

Uma proposta de emenda constitucional incluindo a proteção de dados entre os direitos constitucionais _ a PEC 17/2019, já aprovada pelo Senado _ aguarda para ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. O parecer do relator, deputado João Roma (PRB-BA), foi por sua admissibilidade. Se acatadas, as alterações constitucionais serão analisadas por uma comissão especial e, em seguida, pelo Plenário da Câmara, onde a PEC precisará ter o aval de 308 deputados, no mínimo, em dois turnos de votações, para ser aprovada.

“O ideal é que a proteção de dados passe a ser considerada um direito fundamental antes da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados, em agosto de 2020”, defende o advogado Fabrício da Mota Alves, que foi assessor parlamentar do Senado durante a tramitação do projeto de lei que resultou na LGPD, e um dos que trabalhou pela inclusão da proteção de dados pessoais na lista dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. “Seria um reforço importante para lei”, diz ele.

Por quê? Porque tornará o Estado garantidor desse direito. O Estado brasileiro passará a ter um compromisso maior com a proteção dos dados pessoais de seus cidadãos.

“O setor público precisa considerar a proteção de dados pessoais no tratamento dos dados do cidadão. A lei vale para todos. Embora tenham conseguido uma brecha para evitar multas, os órgão públicos não estão livres de outras sanções”, explica Fabrício.

Além disso, há outras vantagens na PEC, na sua opinião. Entre elas, dar à proteção de dados pessoais tratamento diferenciado, tornando-a praticamente imutável, por depender de um processo mais complicado para mudanças (por meio de emenda à Constituição) do que uma lei ordinária, como a LGPD.

E ainda de separar totalmente a proteção de dados da tradicional discussão sobre privacidade. Hoje, muitos críticos à PEC 17/2019 argumentam que a Constituição Federal já garante o direito à privacidade. O inciso X do artigo 5º , por exemplo, a Constituição diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

“Mas tratamos a privacidade a partir do princípio da inviolabilidade, em especial da comunicação de dados. O que acontece é que a proteção de dados pessoais vai além. É muito mais do que mero desdobramento da tutela do direito à privacidade”, afirma Fabrício.

Na opinião dele, outras questões devem ser consideradas, abrangendo aí as diversas formas de controle possíveis a partir da manipulação de dados pessoais. O exemplo da atuação da Cambridge Analítica, e suas consequências para ingleses e americanos, ilustra bem essa questão. O tratamento das pegadas de interação de deixamos por aí, on e off line, precisa estar coberto por este direito.

Críticas
Apesar de contrário à PEC, o procurador do estado do Rio de Janeiro Anderson Schreiber, reconhece que, inegavelmente, a inclusão expressa da proteção de dados pessoais no rol de direitos fundamentais da Constituição da República possui valor simbólico: valoriza a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018) e a criação de uma entidade independente para fiscalizar o cumprimento da lei – a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

Ainda assim, Schreiber argumenta, em artigo recente, que incluir expressamente algo que doutrina e jurisprudência já extraem de outras normas existentes (além do artigo X da Constituição, que trata da intimidade, ele cita também a cláusula geral de proteção da dignidade da pessoa humana, no inciso III do artigo 1º) é mexer inutilmente naquilo que deveria ser preservado. Na sua visão, a alteração pretendida, embora nascida das melhores intenções, é desnecessária e perigosa.

A consultora jurídica Andréa Silva Rasga Ueda também considera a PEC desnecessária, embora por outros motivos.

“Discordo dessa visão”, comenta Fabrício. “A mudança é necessária. Tanto que vários países com mais experiência que o Brasil na aplicação de leis de proteção de dados pessoais sentiram a necessidade de torná-la um direito fundamental explícito. Não estamos reinventando a roda”.

A União Europeia passou a proteção de dados pessoais como direito fundamental a partir da Convenção de Strasbourg. Em seu preâmbulo, a convenção deixa claro que a proteção de dados pessoais está diretamente ligada à proteção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, entendendo-a como pressuposto do estado democrático e trazendo para este campo a disciplina, evidenciando sua deferência ao artigo 8º da Convenção Europeia para os Direitos do Homem. A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, em vigor desde 2009, levou essa sistemática mais adiante.

Na América Latina, Chile e México já tratam proteção de dados como direito fundamental. O Uruguai também decidiu explicitar o direito incluindo na nova lei de proteção de dados do país um artigo que diz que ele é um direito inerente à pessoa humana, previsto no artigo 72 da Constituição da República.

Porém, mesmo diante da  tendência rumo à autonomia da proteção de dados pessoais e à sua consideração como um direito fundamental, há ainda quem considere prematuro incluir a proteção de dados como um direito fundamental autônomo na Constituição, pelo possível engessamento que essa previsão poderá causar à prática da recém aprovada LGPD. Um parecer jurídico recomenda que a Confederação Nacional da Indústria (a CNI) não apoie a PEC, alegando ser mais prudente  aguardar a evolução do tema, para se ter certeza da necessidade e da adequação de elevar a proteção de dados como um direito fundamental, independente da privacidade e da liberdade.

O assunto promete esquentar nas próximas semanas, com a evolução da tramitação da PEC na Câmara. Caso sofra alguma alteração de mérito, a PEC terá que voltar ao Senado. A expectativa daqueles favoráveis a ela é a de mudanças de redação.

Vale lembrar que o texto inicialmente apresentado pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO) previa a inclusão da proteção de dados pessoais como direito fundamental através da inclusão do inciso XIIA no artigo 5º. Mas a relatora, Simone Tebet (PMDB-MS), acatou uma emenda de redação abandonando a criação de um novo inciso, incluindo a modificação no artigo XII, que ficou assim: “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, bem como é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais”.

Na opinião de Fabrício, o melhor é que a inclusão fosse através de um inciso separado. “A nova redação submete a proteção de dados às mesmas salvaguardas da inviolabilidade das comunicações de dados”, explica. Isso é ruim.

A possibilidade de uma nova mudança de redação é grande.

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Próximos capítulos na proteção de dados

A Lei Geral de Proteção de Dados foi aprovada em agosto de 2018 e entrará em vigor em agosto de 2020. A criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados foi garantida com a aprovação da Medida Provisória 869 em junho deste ano.

Neste momento, o governo trabalha para que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) tenha seus diretores sabatinados pelo Senado até o final do ano, segundo informou o diretor da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, José Ziebarth, em evento realizado no Congresso. Mas este cronograma poderá ser antecipado, caso os nomes para os cargos de direção da ANPD estejam escolhidos até a primeira semana de setembro.

Entre os que se dedicam à privacidade e à proteção de dados pessoais, a movimentação do governo acendeu o botão de alerta. O quadro da ANPD precisa ser técnico e multidisciplinar.  “A heterogeneidade vai ser necessária para conferir o status de especialidade à ANPD, até mesmo por sua própria credibilidade institucional em face de agências reguladoras e do próprio Ministério Público”, escreveu Fabrício da Mota Alves. Afinal de contas, caberá à ANPD evitar a temida explosão de demandas, criando normas racionais e gerando os incentivos corretos para que inovação tecnológica e privacidade convivam harmoniosamente.

Já começam a surgir listas com sugestões de indicações para integrantes da diretoria da ANPD que fogem a esse entendimento, bem como indicações para o Conselho assessor. O lobby segue a pleno vapor. Vale lembrar que deficiências quantitativas e qualitativas de recursos humanos podem dificultar ou, mesmo, inviabilizar o cumprimento do mandato legal atribuído à ANPD. A ANPD não pode (e não deve) ter apenas um viés sancionador. Antes de tudo, ela precisa regulamentar a lei e educar o mercado.

Outra questão em aberto, como bem lembra Fabrício, que foi assessor parlamentar do senador relator do PL de proteção de dados pessoais que resultou na LGPD, é a definição de a quem competirá sabatinar os indicados pelo governo a dirigentes da ANPD. À CAE cabe sabatinar Conselheiros do CADE. À CCT, os da Anatel. À CCJ, os Ministros de Tribunais Superiores. Quem deterá a expertise sobre proteção de dados pessoais?

A boa notícia é a de que o governo tem pressa. “Demonstrar que o Brasil está preparado para entrar na OCDE é importante. E organizar a ANPD é um dos elementos importantes para isso”, lembrou Ziebarth.  Portanto, as chances de a ANPD estar estruturada e em funcionamento no momento da entrada da LGPD em vigor, em agosto de 2020, são grandes.

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Proposta de mudança na LGPD

Em tramitação na Câmara, o Projeto de Lei 3420/19 limita a multa aplicada às empresas em caso de vazamento de dados pessoais a até 2% do seu faturamento no Brasil no seu último exercício, excluídos tributos, até o limite de R$ 50 milhões. O texto elimina a expressão “por infração” que atualmente consta da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (13.709/18).

“A Lei Geral de Proteção de Dados não deixa claro o que será considerado ‘infração’ para fins de aplicação do limite atual e, diante disso, existe o risco de se entender que, para cada dado individual em desconformidade, aplica-se a multa prevista”, explica o deputado Heitor Freire (PSL-CE), autor do PL.

A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

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O mundo tem 5 bilhões de dispositivos WiFi domésticos em uso hoje http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/08/o-mundo-tem-5-bilhoes-de-dispositivos-wifi-domesticos-em-uso-hoje/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/08/o-mundo-tem-5-bilhoes-de-dispositivos-wifi-domesticos-em-uso-hoje/#respond Thu, 08 Aug 2019 12:24:37 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5432 Praticamente cinco bilhões de dispositivos WiFi domésticos estão sendo usados ​​em todo o mundo hoje, segundo dados do estudo “The Wireless Home: Assessing the Scale of the Global Home Wi-Fi Device Market“, da Strategy Analytics. E uma nova onda de dispositivos WiFi inteligentes está prestes a impulsionar a adoção para um total de 17 bilhões de dispositivos domésticos em uso no mundo inteiro até 2030, consolidando a Wireless Home como uma das principais tendências tecnológicas nos próximos anos.

O relatório aponta o padrão WiFi 5 (802.11ac) como responsável por três quartos das vendas de dispositivos em 2019, com o recém-introduzido WiFi 6 (802.11ax) podendo responder por até um terço das vendas de dispositivos até 2023, segundo projeções da equipe de analistas da empresa.

Além do aumento de velocidade (37% a 40% mais veloz em comparação com o WiFi 5), o WiFi 6 vai remodelar a maneira como os roteadores lidam com o crescente número de dispositivos conectados à internet em nossas casas e vidas. Portanto, guarde: o Wifi 6 não só oferece velocidades mais rápidas como, e principalmente, oferece melhor desempenho da rede em ambientes WiFi lotados de dispositivos conectados a ele.

Outra vantagem do WiFi 6, graças ao uso da tecnologia Target Wake Time (TWT), é o baixo consumo de bateria dos dispositivos conectados a ele. Isso porque o roteador e o cliente vão conversar menos entre si para determinar quando o dispositivo cliente precisará estar ativo para transmitir (ou receber) dados. Como resultado, o dispositivo conectado ao roteador WiFi 6 não precisará estar constantemente ouvindo sinais da rede, como hoje, o que, por sua vez, significa menos uso da bateria. Isso será particularmente útil para gadgets de IoT que se comunicam apenas esporadicamente com a rede, assim como os wearables e, em menor escala, os smartphones, os tablets, os laptops e as smart TVs.

De acordo com a WiFi Alliance, o novo padrão será implantado no fim deste ano. Um programa de certificação foi anunciado em janeiro para garantir que os dispositivos rotulados com WiFi 6 atendam aos padrões especificados, e espera-se que os primeiros aparelhos certificados comecem a surgir agora, no terceiro trimestre de 2019. Portanto, espera-se uma explosão de uso no início da década de 2020.

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Wearable Tech será uma indústria de US$ 54 bilhões até 2023, diz GlobalData http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/07/wearable-tech-sera-uma-industria-de-us-54-bilhoes-ate-2023-diz-globaldata/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/07/wearable-tech-sera-uma-industria-de-us-54-bilhoes-ate-2023-diz-globaldata/#respond Wed, 07 Aug 2019 13:05:58 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5421 A medida que os dispositivos vestíveis, como relógios e fones inteligentes, se tornam mais úteis, inclusive no mercado corporativo, o mercado mundial começa a ganhar tração. A edição mais recente do relatório  “Wearable Tech – Thematic Research“, da GlobalData, projeta crescimento de 19% ao ano, passando de US$ 23 bilhões em 2018 para US$ 54 bilhões em 2023.

O mercado consumidor será impulsionado pelas vendas de smartwatches, a medida que recursos como conectividade celular, monitoramento de saúde e, principalmente, o pagamento sem contato, começam a cair no gosto dos mais jovens. Em contraste, as vendas de rastreadores de fitness estão caindo, devido às suas capacidades limitadas quando comparadas aos smartwatches.

De fato, os relógios inteligentes estão avançando rapidamente para a área de saúde e diagnóstico. O relatório da GlobalData sai logo depois de Apple anunciar 400 mil participantes inscritos no Apple Heart Trial, um estudo com o objetivo de rastrear a fibrilação atrial (FA).

Se a tecnologia vestível puder diagnosticar com sucesso a fibrilação atrial, isso pode aumentar significativamente a quantidade de pacientes elegíveis para o tratamento, já que o teste diagnóstico se expandirá para pacientes que não fazem exames de rotina, dizem os entusiastas da tecnologia. Porém, ainda que o potencial para revolucionar os cuidados de saúde e os testes de diagnóstico seja crescente, ainda há muitas questões em torno da precisão desses dispositivos.

Empresas de tecnologia inovadoras como Apple, AliveCor, Qardio e Withings estão pressionando para lançar dispositivos de monitoramento de eletrocardiograma (ECG) para acessar o crescente mercado de wearables dos EUA. No entanto, esses ECGs não substituirão as consultas médicas até que a tecnologia melhore e mais evidências clínicas tenham sido coletadas para a precisão dos dados, diz a própria GlobalData. Os fabricantes também terão que encontrar meios para resolver efeitos colaterais muito comuns, como a ansiedade e o estresse associados ao monitoramento constante.

De todo modo, números de outros estudos comprovam que o mercado de smartwatches surfa a boa onda dos cuidados com a saúde. De acordo com pesquisa do serviço WCD (Wearables Device Ecosystems), os embarques globais de smartwatches cresceram impressionantes 44% ao ano, de 8,6 milhões de unidades no segundo trimestre de 2018 para 12,3 milhões no segundo trimestre de 2019. A Apple manteve a primeira posição com 46% de participação no mercado mundial, enquanto a Samsung retornou para o segundo lugar, com a Fitbit caindo para a terceira posição.

Além do crescente mercado consumidor, a adoção de tecnologia vestível por empresas também está aumentando, graças à atividade nos mercados de logística, seguros, fintech e defesa.

“A tecnologia wearable incorpora mais do que apenas dispositivos de pulso. Smart earwear, ou hearables, tornaram-se uma categoria mais proeminente com o surgimento de dispositivos que incorporam assistentes virtuais ativados por voz, como o Siri, da Apple, ou o Google Assistant. Os aparelhos auditivos também têm o potencial de igualar ou mesmo exceder o desempenho dos smartwatches quando se trata de fornecer serviços de monitoramento de saúde”, explica Ed Thomas, analista-chefe da Technology Thematic Research.

A  eMarketer define  os hearables como dispositivos que podem operar alguns recursos sem estarem conectados a outro dispositivo. Outras organizações o definem de forma diferente, incluindo entre eles dispositivos de ouvido conectados ao Bluetooth, incluindo Airpods. Já a maioria das pessoas os descreve como dispositivos que enviam dados biométricos ou sinais de áudio para smartphones e integram aplicativos ou assistentes pessoais.

Essencialmente, o que temos hoje é um microcomputador que cabe no nosso canal auditivo e utiliza a tecnologia sem fio para complementar e aprimorar sua experiência auditiva e, cada vez mais, nossa comunicação com o mundo conectado ao redor.

A primeira vez que ouvi falar em  “hearables” foi em fevereiro de 2018, quando um artigo da Fast Company levantou a possibilidade de o futuro da interação por voz estar nos nossos ouvidos. Na reportagem, analistas de mercado sustentavam a tese de que os ouvidos têm algumas propriedades extremamente valiosas para embalar essa tendência. 

Entre os primeiros segmentos impactos pela tendência dos hearables enriquecidos por IA e assistentes digitais ativados pela voz está realmente o de Healthcare. Na CES 2019, a Starkey anunciou que seus aparelhos auditivos Livio AI incluirão uma nova versão do seu próprio assistente, o Thrive, integrado com o Google Assistant e o Alexa, à preferência do freguês. O Thrive tratará localmente de questões relacionadas à solução de problemas e ao aparelho auditivo, resolvendo questões do tipo “Qual configuração estou usando?” ou “Quanta energia resta em minhas baterias?”, enquanto Google Assistant e Alexa se encarregam de perguntas mais gerais serão enviadas para a nuvem. Recurso  ativado com um duplo toque no dispositivo ou através de um aplicativo.

E as aplicações na área de saúde e cuidados pessoais vão muito além de ajudar pessoas com deficiência auditiva a melhorar suas condições de escuta. O próprio Livio pode detectar quedas. O Jabra Sport Pulse, o Sony B-Trainer, o SMS Audio Biosport, o Huawei R1 Pro e o LG HR Earphone,  podem monitorar a frequência cardíaca, graças ao uso de sensores biométricos desenvolvidos em parceria  com a Valencell, uma empresa norte-americana que desenvolve tecnologia  biométrica para produtos audíveis.

Muitas empresas ainda estão tentando descobrir o nicho que seu produto irá atender. Já existem fabricantes trabalhando em sensores para produtos audíveis que poderão habilitá-los à medir a temperatura corporal e a pressão arterial, oximetria de pulso, sinais de eletroencefalograma e muito mais. 

O Gartner  previu em novembro de 2018 que os dispositivos hearables devem ultrapassar as remessas mundiais de smartwatches até 2022, quando somarão 158,43 milhões de unidades, contra 115,20 milhões de smartwatches.

Segundo a GlobalData, a Apple também detém uma forte posição no segmento de hearables, onde os AirPods são líderes de mercado. 

A equipe da Apple se vangloria de que o negócio de wearables da empresa agora é do tamanho de uma empresa Fortune 200. Outros players bem posicionados em tecnologia wearable incluem Huawei, Google, Samsung e Xiaomi.

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#TellNet: Como conseguir um bom emprego na área de cibersegurança? http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/05/tellnet-como-conseguir-um-bom-emprego-na-area-de-ciberseguranca/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/08/05/tellnet-como-conseguir-um-bom-emprego-na-area-de-ciberseguranca/#respond Tue, 06 Aug 2019 00:50:57 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5413 Por Denny Roger *

Recebo diversos contatos solicitando indicações sobre cursos e certificações na área de cibersegurança. Algumas respostas são sempre polêmicas, especialmente quando estou em alguma instituição de ensino. Vamos entender melhor o que realmente acontece na prática.

Estive conversando com dois colegas sobre como conseguir um bom emprego. Um dos pontos discutidos foi como o entrevistador consegue avaliar os conhecimentos do candidato. O assunto surgiu porque percebemos que muitos profissionais ocupam cargos na área de cibersegurança  ou segurança da informação sem possuírem o perfil necessário para exercer a função.

Em muitos casos, a culpa não é do profissional que está exercendo a função e sim da pessoa que o contratou. Esta pessoa pode não possuir o conhecimento necessário para avaliar o perfil do profissional. Existe também outra situação na qual o empregador avalia o conhecimento do candidato através das indicações e das certificações.

Veja os erros e acertos na escolha de profissionais de cibersegurança e segurança da informação:

1) Referências
A indicação não funciona porque o candidato à vaga pode fornecer o contato de um amigo ou parente como referência. É óbvio que o amigo ou parente irá fornecer boas referências. E isso ocorre com muita frequência.

2) Certificações
O mercado exige que você tenha determinadas certificações. Caso você queira conseguir um emprego ou ganhar um aumento no salário, basta estudar e ser aprovado em algumas provas (por exemplo, CISSP).

3) Só no papel
Muitos profissionais são certificados porque a empresa pagou ou exigiu que o funcionário tivesse a certificação.

Existem diversos casos onde o profissional é certificado em uma determinada tecnologia, mas atua em outra área. Por exemplo, um dos nossos colegas de trabalho conseguiu recentemente a certificação CCIE (Cisco Certified Internetwork Expert). Porém, este profissional atua com sistemas Windows – possui experiência em uma área, mas é certificado em outra. Este colega só “buscou” a certificação por solicitação da empresa.

4) Teoria e prática
A certificação prova que a pessoa tem capacidade de aprender sobre algum assunto. A certificação não prova que a pessoa está preparada para exercer uma determinada função na área de cibersegurança ou segurança da informação.

Por exemplo, muitos profissionais estão buscando certificações baseadas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e/ou no Regulamento Geral de Proteção de Dados, conhecido como GDPR, para serem reconhecidos como DPO (Data Protection Officer). Porém, quais são as credencias de projetos bem sucedidos que este profissional liderou, baseado nos controles e processos determinados pela LGPD ou GDPR? Qual é a experiência desse profissional em criptografia de ambientes computacionais baseados em Big Data? Qual é a experiência desse profissional em Governança de Dados (ingestão, processamento e consumo de dados confidenciais)?

A certificação prova que a pessoa tem capacidade de estudar e ser aprovada no exame. Porém, não evidência as experiências práticas como DPO.

5) Atualização constante
A tecnologia evolui muito mais rápido do que qualquer curso ou certificação. Na área de cibersegurança e/ou segurança da informação estamos aprendendo coisas novas todos os dias. Os cursos e certificações ficam ultrapassados muito rápido.

6) Habilidade
O mais importante é a sua capacidade em resolver problemas, principalmente usando tecnologias disruptivas, e criar estratégias pró-ativas contra as novas ameaças. As certificações não irão lhe ajudar no momento em que o seu ambiente computacional estiver sofrendo um novo tipo de ataque ou fraude.

Mortais e imortais
A área de recursos humanos e até mesmo o entrevistador técnico precisam entender que existem os imortais e os mortais de cibersegurança e segurança da informação.

Os imortais são as pessoas que conseguem comprovar a sua experiência e são reconhecidos pela comunidade de cibersegurança ou segurança da informação. São pessoas que compartilham o seu conhecimento com os seus colegas de trabalho, ministram palestras, desenvolvem cursos, escrevem artigos, participam de grupos de discussão etc.

Os mortais são as pessoas que têm como objetivo possuir algum tipo de certificação para tentar diferenciar-se no mercado de trabalho.

 

(*) Denny Roger é especializado em cibersegurança e Transformação Digital para setor financeiro, incluindo trabalhos com Open Banking, Blockchain, DevSecOps, Autenticação Biométrica, Big Data, Arquitetura de Segurança de TI e Prevenção a Fraudes.

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Facebook pode fazer mais para combater a desinformação, diz fact-checker http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/31/facebook-pode-fazer-mais-para-combater-a-desinformacao-diz-fact-checker/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/31/facebook-pode-fazer-mais-para-combater-a-desinformacao-diz-fact-checker/#respond Wed, 31 Jul 2019 12:48:13 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5401 A Full Fact, organização não governamental fundada em 2010 para responder ao problema da desinformação e desde janeiro uma das maiores parceiras do Facebook no combate às fake news, fez uma série de críticas à rede social, pedindo maior transparência em relação aos resultados do trabalho de fact-checking e a expansão do programa de checagem para suas outras plataformas, como o Instagram.

Esse é o primeiro relatório público de um fact-checker parceiro do Facebook, e nos dá uma visão útil de como esse processo está funcionando nos bastidores.

“O programa Third Fact Fact Checking precisa mudar, e nós fizemos recomendações específicas sobre como ele pode ser fortalecido”, diz o relatório. Dez delas são específicas para rede social.

Segundo a organização, o Facebook precisa compartilhar mais dados com verificadores de fatos. Especialmente sobre como o conteúdo sinalizado como falso pelos usuários da rede social é encaminhado aos verificadores e compartilhado ao longo do tempo, para ver com que rapidez as informações marcadas como duvidosas estão sendo divulgadas.

Segundo a Full Fact existem hoje  nove classificações possíveis que os verificadores de fatos podem aplicar ao conteúdo sob o programa. Deles, apenas três (False, False Headline e Mixture) são usados ​​pelo Facebook para reduzir a distribuição de conteúdo.

À Reuters, Julia Bain, da equipe de parcerias do Facebook, disse que a rede social está evoluindo sua escala de classificação para dar conta de diferentes tipos de desinformação e trabalhando para melhorar o impacto do fact-checking, identificando conteúdo similar ou idêntico.

“Muitas das recomendações do relatório estão sendo ativamente perseguidas por nossas equipes”, disse Bain em comunicado enviado para a agência de notícias.

Automação requer dados confiáveis
O fact-checking é um trabalho lento, cuidadoso e cada vez mais necessário em todo o mundo. Compreensivelmente, as empresas de internet estão à procura de tecnologias que possam identificar informações imprecisas na escala da Internet. O Facebook tem trabalhado em um método para sinalização de desinformação por ferramentas de Inteligência Artificial. “O programa Third Fact Fact Checking pode desempenhar um papel importante na geração de dados para tornar essas novas tecnologias possíveis”, diz o relatório.  Mas para isso, os parceiros deveriam saber mais sobre o desenvolvimento das ferramentas, uma vez que o Machine Learning depende dos dados que ajudem os sistemas a aprender.

Na opinião da Full Fact, dificilmente o sistema de classificação existente ajudará no treinamento de sistemas de Machine Learning.

“As categorias são muito amplas”, dizem. “Não é óbvio que o que torna um post sobre um assunto verdadeiro e outro sobre o mesmo assunto falso é algo que um computador possa aprender a partir dos dados que o programa está gerando”, argumentam.

“É possível que o Facebook tenha informações que não conhecemos que faça com que confie que pode gerar um aprendizado de máquina eficaz sem efeitos secundários negativos. Por exemplo, eles podem estar usando dados sobre os atores por trás de mensagens ou grupos específicos de posts, bem como dados sobre o conteúdo do próprio post”, explicam os autores do relatórios, que pedem maior transparência por parte do Facebook  também sobre o que a rede social vem fazendo para tornar essas ferramentas de aprendizado de máquina mais eficazes no combate à desinformação.

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União Europeia prepara lei draconiana contra discurso de ódio na Internet http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/uniao-europeia-prepara-lei-draconiana-contra-discurso-de-odio-na-internet/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/30/uniao-europeia-prepara-lei-draconiana-contra-discurso-de-odio-na-internet/#respond Tue, 30 Jul 2019 15:06:23 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5394 Já ouviu falar no Digital Services Act? É uma lei em gestação em Bruxelas, com previsão de entrada em vigor no fim de 2020, que forçará as plataformas digitais como Google, Facebook, YouTube, etc a remover conteúdo ilegal, incluindo discurso de ódio e desinformação. Mas também pode abarcar questões de propriedade intelectual e direito autoral. Também deve abordar questões como publicidade política on-line e justiça no comércio eletrônico.

A Comissão Europeia já começou a trabalhar nas regras que, entre outras coisas, pode deixar as gigantes da Internet sujeitos a ordens obrigatórias de “notificação e retirada” (notice and take down), forçando-os a remover conteúdo ilegal de seus sites, incluindo certos tipos de racismo e xenofobia, ou enfrentar multas e outras sanções.

Inspirada nas novas regras de supervisão e nas sanções criadas pelo Reino Unido a partir do Online Harms White Paper, que impõe às plataformas digitais o “dever de cuidado”, para obrigá-las a tomar medidas para combater atividades ilegais e prejudiciais em seus serviços, o Digital Services Act pode vir a ser a primeira legislação em todo o mundo a supervisionar o conteúdo em plataformas digitais em grande escala.

Ao Financial Times, autoridades de Bruxelas disseram que a lei permitirá que os formuladores de políticas da UE elaborem regras específicas para atingir todas as partes do setor de tecnologia, incluindo provedores de serviços de internet, gigantes de busca como Google, serviços em nuvem e plataformas de mídia social como o Facebook. A legislação provavelmente conterá novas regras de transparência sobre propaganda política e forçará grandes plataformas tecnológicas a sujeitar seus algoritmos ao escrutínio regulatório.

Embora a elaboração esteja em um estágio inicial, a comissão está explorando opções para estabelecer um regulador tecnológico centralizado da UE com o poder de fazer cumprir a legislação. Em português claro, a Comissão Europeia está considerando a criação de uma nova autoridade para a regulamentação dos serviços online. Hoje os estados membros são responsáveis ​​pelas atividades das plataformas em seus países.

De acordo com a proposta inicial formulada pelas autoridades europeias (e publicada pela NetzPolitik.org), a diretiva relativa ao comércio eletrônico, com mais de 20 anos em vigor, deverá ser substituída pela nova lei. Atualmente, de acordo com o artigo 14 da atual diretiva de comércio eletrônico, os provedores só são responsabilizados pelo conteúdo ilegal enviado por seus usuários, incluindo violações de direitos autorais, se não o removerem depois de solicitados a fazê-lo. Isso pode mudar. A nova proposta fala em “medidas proativas”  como forma de evitar a responsabilidade direta. Entre elas, filtros de upload, conforme exigido pela reforma de direitos autorais adotada recentemente pela UE.

A reforma dos direitos autorais adotada em abril declara no Artigo 17 que “todo esforço deve ser feito para garantir a diligência profissional de acordo com os altos padrões da indústria” para impedir o upload de conteúdo protegido por direitos autorais.Isto foi entendido como a adoção de uma filtragem automatizada.

Esse documento publicado pela NetzPolitik.org menciona redes sociais, serviços em nuvem, serviços como Uber e Airbnb, bem como provedores de serviços de internet entre aqueles que deverão estar sujeitos à nova lei. Nas suas sete páginas  há apenas um esboço do Digital Services Act, para fomentar o debate que balizará  uma proposta mais detalhada a ser apresentada pela Comissão Europeia.

A Comissão Europeia se recusou a fornecer dar detalhes sobre até que ponto os debates sobre a Lei dos Serviços Digitais avançaram. “A Comissão nunca comenta documentos vazados”, disse um porta-voz à netzpolitik.org. Várias publicações europeias publicaram o documento que, segundo o site Contexte, já está na sua sétima versão.

 

Em tempo: Em março deste ano, a Senadora (e candidata presidencial) Kamala Harris, enviou ao Congresso dos EUA um projeto de lei batizado de Digital Services Act. Ao contrário da legislação europeia, a americana foi projetada para “alavancar a inovação digital” e ajudar os governos estaduais e locais a ter “equipes pequenas de tecnólogos, projetistas e funcionários públicos para atualizar e reconstruir sistemas governamentais. O projeto também colocaria US $ 50 milhões para o Serviço Digital dos EUA”.

O foco do projeto de lei em adicionar pessoal e sua capacidade técnica associada ao governo é importante – pelo menos 50% dos gastos devem ser da equipe. Para alguns analistas, a lei pode ajudar a criar uma preferência por experimentos de baixo custo, tecnologias mais leves, modelos de receita inovadores e promover confiança nas empresas que priorizam a interoperabilidade.

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Amazon destoa em trimestre positivo para a maioria das plataformas digitais http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/26/amazon-destoa-em-trimestre-positivo-para-a-maioria-das-plataformas-digitais/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/26/amazon-destoa-em-trimestre-positivo-para-a-maioria-das-plataformas-digitais/#respond Fri, 26 Jul 2019 20:38:42 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5379 Na semana passada havia uma grande expectativa entre os analistas de mercado com relação aos informes de resultados trimestrais das grandes gigantes digitais. Pairava no ar a sensação de desaceleração de crescimento… Publicados os números, foi o que se constatou, apesar de a maioria ter reportado ganhos acima dos esperados por Wall Street, com exceção da Amazon, que ficou abaixo das previsões, pressionada pela intensa competição com rivais como Walmart e pelos gastos com marketing e com o Amazon Prime.  A entrega em um dia para os membros Prime está custando caro à empresa.

As ações da gigante do e-commerce e da nuvem caíram na quinta-feira, após a divulgação dos resultados do trimestre. Pesou no humor dos investidores o fato de a companhia estar enfrentando dificuldades em suas operações, como custos de frete mais altos, desaceleração do crescimento de seus negócios de nuvem e uma perda acentuada em seus negócios de varejo no exterior.

O lucro da Amazon no trimestre cresceu apenas 3,6% em relação ao ano passado, depois de mais que dobrar no trimestre anterior. E, para completar a safra de más notícias, a Amazon Studios cancelou e adiou vários projetos por já ter comprometido a maior parte de seu orçamento para este ano.

Já o Facebook registrou 28% de crescimento de receita e um grande lucro. Sinal de que os investidores digeriram bem as notícias recentes da multa recorde de US$ 5 bilhões imputada pela Federal Trade Commission. Mas suas taxas de crescimento trimestrais e anuais também estão encolhendo. A receita publicitária, que cresceu 26% neste trimestre, na variação anual, tinha crescido 38% no trimestre anterior.

Ok, historicamente os gastos com anúncios normalmente aumentam durante o quarto trimestre fiscal e são menores durante o primeiro trimestre, como é o caso do Facebook agora. O problema é que os números da empresa sugerem que a receita de anúncios está diminuindo. O preço médio dos anúncios caiu 4% no trimestre, enquanto as impressões de anúncios aumentaram 33%, com o Stories impulsionando esse crescimento.

Dado relevante:  recentemente, a empresa mudou a forma de relatar o números de usuários, passando a adotar uma única métrica englobando todas as suas propriedade (ou aplicativos, como queiram). Para muitos, uma forma de esconder uma provável queda no número de usuários ativos no próprio Facebook, compensada pelo crescimento do Instagram. Uma mágica contábil que parece estar funcionando. O número de usuários ativos diariamente nos serviços de propriedade de Mark Zuckerberg cravou a previsão dos analistas (1,59 bilhão), bem como o de usuários ativos ao mês (2,41 bilhões). A quantidade de usuários registrados é agora de 2,7 bilhões.

A Alphabet, controladora do Google, também relatou receita e lucro trimestrais acima das expectativas, demonstrando resiliência no mercado de publicidade ligada às buscas.  Havia uma preocupação enorme entre os investidores com o segmento de adsearch, considerado um dos principais negócios da empresa. Pois bem, a margem operacional do trimestre, considerando as receitas de publicidade como um todo, foi de 24%. Acima portanto dos 18% do trimestre anterior.

No último trimestre, as ações do Alphabet caíram quando o Google anunciou uma desaceleração no crescimento da receita, em grande parte por culpa de uma mudança  implementada no YouTube. Agora, a receita do YouTube voltou a mostrar força. O serviço foi o segundo maior contribuinte para o crescimento. E muitos analistas já esperam que a receita com publicidade no Google Maps e no YouTube siga sustentando o bom desempenho do negócio de publicidade da companhia nos próximos meses.

Houve aumento de 28% nos cliques pagos nas propriedades Google nesse trimestre, em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Mas o custo por clique caiu 11% no mesmo período. Além disso, os negócios com nuvem e hardware, embora não tenham decolado, melhoraram. O Google Cloud atingiu uma taxa de receita anual de mais de US $ 8 bilhões, representando o terceiro maior impulsionador de crescimento de receita da Alphabet, atrás de anúncios de busca e do YouTube,  e o maior driver na rubrica “outras receitas”.

Ah! Para estimular os investidores, a Alphabet anunciou um programa de recompra de ações classe C de US$ 25 bilhões. O maior em sua história.

E a Apple? Bom, a Apple só divulgará seus resultados na próxima semana. A expectativa dos analistas é a de que a empresa registre um aumento de mais de 20% na receita de serviços, que inclui a iCloud e a App Store. O problema é que cerca de metade da receita da companhia ainda depende das vendas do iPhone, que têm previsão de queda. Então… A previsão do mercado é o de que Apple apresente um ligeiro aumento de receita, como um todo, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, impulsionado pelos segmentos de Serviços e Wearables. A ver.

O futuro?
Wall Street segue preocupada com o crescente escrutínio regulatório das Big Techs. O Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), que já havia realizado revisões informais antitruste da Alphabet e da Amazon, depois de um acordo entre o Departamento de Justiça e a Comissão Federal de Comércio, anunciou no início desta semana uma nova investigação em todas as grandes empresas de tecnologia.

Ainda não está claro o que as agências estão examinando ou quão agressivamente elas pretendem agir.

De todo modo, Wall Street teme que as gigantes da tecnologia entrem em uma espiral que, anos atrás, foi muito ruim para os bancos: custos estruturalmente mais altos e retornos mais baixos, causados ​​por regulamentação mais rígida.

Antes da crise financeira de 2008, o setor financeiro era a força dominante no S&P 500. Respondia por 22% do valor do índice em 2006, a mesma participação da tecnologia hoje, segundo Tom Braithwaite, em artigo publicado no Financial Times.

Até o último dia 19 de julho, Microsoft, Apple, Amazon e Facebook responderam por 19% do retorno total do S&P 500 este ano, de acordo com dados da S&P Dow Jones Indices. Essa taxa está praticamente alinhada com as contribuições feitas pelas maiores ações de tecnologia em 2017 e em grande parte do ano passado. Por conta disso, os administradores das empresas de tecnologia olham para a possibilidade regulamentação e perdas com a mesma soberba que o setor financeiro olhava em 2006.

Espera-se que a receita combinada da Apple, Amazon, Alphabet e Facebook aumente em média 14% ao ano nos próximos três anos, com base no consenso dos analistas. Mas os políticos de todos os matizes estão agora de olho na Big Tech. A própria investigação do Departamento de Justiça é um avanço em relação aos planos anteriores de fiscalizar o setor. Então, tem muita gente recomendando cautela.

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Estudo comprova que dados anonimizados não protegem a identidade de ninguém http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/25/estudo-comprova-que-dados-anonimizados-nao-protegem-a-identidade-de-ninguem/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/25/estudo-comprova-que-dados-anonimizados-nao-protegem-a-identidade-de-ninguem/#respond Fri, 26 Jul 2019 01:22:24 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5371 Há anos os legisladores debatem sobre a ineficiência do uso de dados anonimizados como proteção da  identidade dos usuários de sistemas digitais, especialmente na Internet.

Quase sempre, a polêmica gira em torno de uma possível reversão do processo de anonimização, que envolve a remoção de informações pessoalmente identificáveis em conjuntos de dados usados para os mais diversos fins. Garantir que os dados possam ser usados ​​estatisticamente para pesquisa médica, por exemplo,  é extremamente importante, mas isso não pode comprometer a privacidade dos pacientes.

Esta semana, pesquisadores do Imperial College London e da Université Catholique de Louvain, na Bélgica, comprovaram que através da combinação de poucos dados anonimizados é possível identificar seus titulares com uma probabilidade bem elevada. Usando apenas 15 atributos demográficos, eles descobriram, por exemplo, que 99,98% dos americanos seriam corretamente re-identificados a partir de qualquer conjunto de dados anônimos.

Para comprovar sua tese, disponibilizaram uma página na Internet onde residentes nos Estados Unidos e no Reino Unido podem testar o algoritmo que desenvolveram, informando apenas sexo, data de nascimento e CEP. O algoritmo avalia e informa a probabilidade de identificação da pessoa a partir desses dados.

Os resultados do estudo foram publicados pela Nature.

À Newscientist, Yves-Alexandre de Montjoye, pesquisador do Imperial College London, disse que o modelo desenvolvido por eles não deixa dúvida de que a incompletude do conjunto de dados não é suficiente para preservar a privacidade das pessoas.

Segundo Montjoye, olhando para um determinado conjunto de dados, pode haver nele muitas pessoas que estão na casa dos 30 anos, são do sexo masculino e vivem em Nova York. No entanto, se o interessado em identificar alguém, souber que a pessoa que está procurando nasceu em 5 de janeiro, está dirigindo um Mazda vermelho, tem duas filhas, um cachorro e mora em um bairro específico de Nova York, então a chance de identificação da pessoa certa é altíssima. Mesmo que os registros não contenham identificadores diretos, como  nome, endereço, e-mail ou telefone.

Onde mora o problema? Conjuntos de dados supostamente anônimos estão sendo vendidos para corretores de dados. E o risco de que possam ser re-identificados e reconciliados, para criar perfis cada vez mais abrangentes de indivíduos, é real e preocupante.

Na opinião dos autores do estudo, chegou a hora de repensar a forma como abordamos a proteção de dados e o que podemos considerar verdadeiramente como dados anônimos. “É preciso reconhecer que as ferramentas não estão funcionando e passar para uma gama diferente de técnicas que nos permitam encontrar um equilíbrio entre usar os dados e preservar a privacidade das pessoas”, disse Montjoye.

A anonimização de dados é um dos instrumentos previstos na LGPD para proteção da privacidade do titular do dado. Advogados brasileiros defendem que a avaliação do grau de confiança e da segurança aplicado ao processo de anonimização seja uma das atribuições da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Para esses advogados a ANPD também deve recomendar o uso das ferramentas técnicas mais confiáveis, que dificultem ao máximo a reversão.

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Google e Apple são solidariamente responsáveis pelo FaceApp, diz Procon-SP http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/25/google-e-apple-sao-solidariamente-responsaveis-pelo-faceapp-diz-procon-sp/ http://porta23.blogosfera.uol.com.br/2019/07/25/google-e-apple-sao-solidariamente-responsaveis-pelo-faceapp-diz-procon-sp/#respond Thu, 25 Jul 2019 14:06:50 +0000 http://porta23.blogosfera.uol.com.br/?p=5366 A Fundação Procon-SP considera que Google e Apple são responsáveis pela ausência de informações do aplicativo FaceApp. O órgão alega que o Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade solidária dos fornecedores na disponibilização dos produtos e serviços no mercado de consumo, ainda que pela ausência de informações.

Segundo o Procon-SP, tanto na App Store quanto na Google Play só é possível consultar a política de privacidade do aplicativo FaceApp na língua inglesa, o que na opinião do órgão impossibilita que muitos consumidores tenham conhecimento do conteúdo e contraria a legislação. Vale lembrar que o Código de Defesa do Consumidor prevê que um dos direitos básicos é a informação adequada, clara e em língua portuguesa.

No dia 18 de julho, FaceApp, Google Brasil Internet e Apple Computer Brasil foram notificados pela entidade a esclarecer quais as políticas de coleta, armazenamento e uso dos dados dos consumidores que utilizam o aplicativo de envelhecimento.

Nas respostas, Apple e Google afirmam não serem desenvolvedoras e apenas disponibilizarem suas plataformas para a distribuição de aplicativos para os usuários. Ambas dizem que para distribuírem seus apps pelas lojas App Store e Google Play os desenvolvedores devem concordar em proteger a privacidade dos usuários.

O Procon-SP informa ainda que a equipe de fiscalização conduzirá uma apuração mais aprofundada e adotará medidas e sanções com base no Código de Defesa do Consumidor.

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